<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326</atom:id><lastBuildDate>Wed, 11 Nov 2009 17:38:49 +0000</lastBuildDate><title>COLETIVO FEMINISTA</title><description></description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/</link><managingEditor>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-7106799304409504487</guid><pubDate>Mon, 09 Nov 2009 13:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-09T05:32:04.434-08:00</atom:updated><title>Divulgação: Hoje, 09 de novembro de 2009 - Ato Contra a Violência Sexista na Uniban</title><description>Ato Público Contra a Violência Sexista!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Movimento Feminista, Sindical e Estudantil convocam um ato contra a violência sexista ocorrida na UNIBAN, que neste momento tem como agravante a expulsão da aluna que recentemente sofreu uma violencia, ou seja, a vítima transformada em ré, os agressores impune, e a UNIBAN com esta conduta banaliza, estimula e justifica a violência contra a Mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO PODEMOS NOS CALAR!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ATO às 18 horas na Porta da UNIBAN São Bernardo do Campo.&lt;br /&gt;Dia: 9/11(segunda feira)&lt;br /&gt;Endereço: São Bernardo do Campo – Avenida Rudge Ramos, 1501 (fica no KM 12 da Via Anchieta) para quem sai de são Paulo é necessário fazer o retorno.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-7106799304409504487?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2009/11/divulgacao-hoje-09-de-novembro-de-2009.html</link><author>noreply@blogger.com (Maria Angélica Fontão)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-2241132202347886414</guid><pubDate>Fri, 06 Nov 2009 18:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-11-06T11:06:56.860-08:00</atom:updated><title>“Joga pedra na Geni, Ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir”</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SvRypioU82I/AAAAAAAAAAs/RRBDOzH8A20/s1600-h/Hexe.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401067911120221026" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 189px; CURSOR: hand; HEIGHT: 260px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SvRypioU82I/AAAAAAAAAAs/RRBDOzH8A20/s400/Hexe.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Décadas após o movimento feminista colocar na ordem do dia a bandeira ‘direito ao próprio corpo’ deparamo-nos com o triste episódio de humilhação de uma aluna na Uniban por causa do uso de uma mini saia. O direito de dispor livremente do próprio corpo foi e é uma bandeira que pretende incluir não só direitos como contracepção, aborto e liberdade sexual, mas também o direito de se vestir da forma como se deseja sem ter como conseqüência agressões, hostilidade e violência de todos os tipos. O caso ocorrido na Uniban mostra o quão distante estamos de conquistar minimamente esta autonomia, em contraste com o discurso dominante ‘pós-feminista’, que carrega a ilusão de que a igualdade plena entre homens e mulheres já teria sido conquistada e que portanto a luta feminista não faria mais sentido. O caso é uma demonstração da truculência do machismo - cujas manifestações precisam ser duramente combatidas - e da atualidade, para não dizer urgência, da continuidade da luta feminista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque aquela roupa incomodou tanto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Nossa sociedade estabelece um padrão de vestimenta aceitável para as mulheres. Por um lado condena-se a pouca exposição do corpo, considerada, em muitos meios, símbolo de conservadorismo e de pouca feminilidade. Os decotes, as pernas a mostra são tidos como símbolos da beleza feminina que permite uma exposição do corpo que pode ser “apreciada” pelos homens. Por outro lado, essa exposição deve seguir uma série de normas. Idade, lugar, peso, determinam o grau de exposição. A exemplo dessas normas encontramos o seguinte comentário sobre o caso em blog que comentava o evento: “O comprimento do vestido não me parece, realmente, nada demais. Ainda mais que ela tá com tudo em cima, então vamos lá.” Se não estivesse com tudo em cima, não poderia usar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As discussões sobre se era ou não apropriado o uso da roupa e sobre o tamanho do vestido mostram-nos a face perversa de uma lógica que tende a culpabilizar a mulher pelas violências sofridas. Muitos/as foram os que culpabilizaram X pelo ocorrido, argumentação tipicamente machista utilizada para justificar estupros e diversos outros tipos de violências cometidas contra as mulheres. Devemos reafirmar que nada justifica aquele tipo de violência e condenar toda forma de culpabilização feminina nesses contextos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra face perversa de muitos discursos sobre o evento é a idéia de que a própria mulher não tem autonomia para decidir. Na comunidade do Orkut da Uniban o tópico referente ao ocorrido é: “Sou a favor da expulsão da meretriz loira”. Um dos participantes comenta: "vamos aplicar os fatos na vida de todos: quem aqui deixaria a filha, namorada ou a mãe ir para uma universidade vestindo uma microsaia que ao sentar mostra suas partes intimas? se ela fosse a praia com uma microsaia ninguém ia chamar de puta! mas ela estava em uma universidade repleta de jovens com hormônios a flor da pele!! quantas garotas vão a universidade, ao trabalho, a igreja, etc... com microsaias? ela queria chamar atenção e conseguiu! ter fama de santinha, garota de família é que ela não ia conseguir vestindo uma microsaia". Os fatos da vida são claros: nós mulheres precisamos de autorização de nossos pais, irmãos, companheiros para usar determinada vestimenta. Seguindo essa lógica a “loira da Uniban” aparentemente não tem um “homem” que a impeça de usar a roupa que bem entender e nessa lógica bárbara não tem dono, já que as mulheres não são donas de si próprias e assim é ameaçada de estupro dentro de uma universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso da minisaia faz com que Geysi Arruda entre na categoria de “puta”, “vadia”, um objeto com o qual pode-se fazer qualquer coisa, inclusive estuprar como foi proposto naquele contexto. O corpo da mulher é visto como um objeto a mercê da vontade masculina. Ao que tudo indica a aluna ao parecer ignorar os gracejos dos alunos - que ao a verem de minisaia sentiram-se no direito de “mexerem com ela”- despertou a ira dos mesmos. A questão então não é apenas a expressão de um moralismo retrógrado que, sem dúvida encontra-se arraigada nos valores de nossa sociedade. Mas trata-se do desejo de dominação do corpo da mulher. A questão é a autonomia das mulheres, se a aluna tivesse atendido aos gracejos dos alunos, a truculência talvez não teria ocorrido. Desse modo, até mesmo os gracejos podem ser entendidos como uma forma de violência. O estupro cogitado em meio a mobilização truculenta coletiva representa uma maneira de punir a aluna, ou qualquer outra mulher, que não se coloque a mercê da vontade masculina. O fato comprova que infelizmente a divisão que se impõe a mulher entre “moça donzela” x “puta”, embora tenha ganhado novas roupagens continua arraigada nos valores de nossa sociedade. Ao vestir roupas consideradas inapropriadas a garota ficou exposta ao descontrole de uma massa de homens e, ao que tudo indica, não pôde encontrar solidariedade nem mesmo nas mulheres, algumas das quais certamente a condenaram por comportamento inapropriado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devemos rechaçar com veemência este tipo de manifestação e expressar coletivamente nossa indignação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclamamos tod@s a construir um &lt;strong&gt;ATO CONTRA O "CAÇA AS BRUXAS" na Uniban de São Bernardo na sexta-feira, dia 13/11 às 18:00&lt;/strong&gt;. Não podemos deixar passar um branco um fato bárbaro como esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;“Direito ao próprio corpo!” “Abaixo a violência contra a mulher”&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Coletivo Feminista – Campinas &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-2241132202347886414?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2009/11/joga-pedra-na-geni-ela-e-feita-pra.html</link><author>noreply@blogger.com (Maria Angélica Fontão)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SvRypioU82I/AAAAAAAAAAs/RRBDOzH8A20/s72-c/Hexe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-5533884255634703314</guid><pubDate>Thu, 02 Jul 2009 00:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-01T21:08:06.262-07:00</atom:updated><title>MULHERES ESCRITORAS: HEROÍNAS MEMORÁVEIS E OCULTAS</title><description>"Mais do que o falar, o escrever para as mulheres tem sido visto como a usurpação de um direito que não lhes pertence e, ademais, como uma prática inútil, como aquilo não lhes corresponde. Disse Virginia Woolf: Creio que passará ainda muito tempo até que uma mulher possa sentar-se a escrever um livro sem que surja um fantasma que deve ser assassinado, sem que apareça uma pedra no meio do seu caminho.&lt;br /&gt;Do livro de Yadira Calvo À mulher pela palavra, me permito mostrar algumas histórias. A de Fanny Burney queimando todos os seus originais e colocando-se a fazer trabalho de ponto como penitência por escrever. A de Charlotte Brönte deixando de lado o manuscrito de Jane Eyre para descascar batatas. A de Jane Austen escondendo os papéis cada vez que entrava alguém, pela vergonha de que a vissem escrever. A de Katherine Anne Porter declarando haver tardado vinte anos para escrever uma novela. Era sempre interrompida por alguém que, em algum momento aparecia no meu caminho. Porter calculava que só pode empregar uns dez por cento de suas energias para escrever. Os outros noventa por centro usei para poder manter minha cabeça fora d´água, dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo essa foto de María Moliner remendando meias com um ovo de madeira, enquanto escrevia sua obra, Dicionário do uso do castelhano ia nascendo entre panelas e coadores. Leio as queixas de uma Katherine Mansfield reprovando a seu marido: Estou escrevendo mas tu gritas: São cinco horas, onde está meu chá? Ou o doce lamento de uma cubana do século passado que não assinou suas obras: Quantas vezes lentamente/ com plácida inspiração/ formei uma oitava na minha mente/ e minha agulha inteligente/ remendava uma calça! Por isso disse Virginia Woolf a propósito da duquesa de Newcastle: Sabia escrever na sua juventude. Mas suas fadas, caso tenham sobrevivido, se transformaram e hipopótamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro fato gravíssimo: a atribuição das obras das mulheres a outros, e em especial a seus maridos. Esse deve ter sido um fenômeno muito freqüente pois temos muitas referências. Desde o artigo publicado em 1866 por Rosalía de Castro As literatas: carta a Eduarda, onde a escritora faz essa advertência, até as palavras de Adela Zamudio, escritora boliviana do século XX: Se alguns versos escreve /de alguns esses versos são,/ que ela apenas os subscreve/ (Permita-me que me assombre.)/ Se é alguém não é poeta,/ Por que tal suposição?/ Por que é homem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão também os fatos históricamente comprovados: o célebre caso de María Lejarraga, autora das obras assinadas por seu marido Gregorio Martínez Sierra. E o fato de que foi o marido quem proibiu a Zelda Fitzgerald de publicar seu Diário porque ele o necessitava para seu próprio trabalho. E as primeiras obras de Colette que apareceram assinadas com o nome de seu marido, que inclusive cobrou o dinheiro de sua venda. Alguém dirá que vou muito atrás e que a humanidade mudou nos últimos vinte séculos. Pois bem, no ano 2000 e na Espanha só dez por cento dos livros publicadas foram escritos por mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUDAR A LINGUAGEM, MUDARÁ A REALIDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não obstante, existem mulheres capazes de escalar a encosta do proibido, de roubar da vida esses dez por cento de energia necessários para manter a cabeça fora da água. E a mantém. E escrevem. E editam. E aquí seguimos todas as demais. Lutando e celebrando os novos êxitos. Estendendo a rede para que todas as mulheres da terra tenham direito à voz, à palavra. Sabendo que vemos o mundo através do tecido formado pela língua e motivadas pela certeza de que a linguagem sexista, a que aprendemos, contribui para a perpetuação do patriarcado. Sabendo também que quando tenhamos uma linguagem que nos represente mudará a realidade. Por isso seguimos adiante. E não adormecemos mais às meninas com contos de fadas. Dizemos que as boas meninas vão para o céu e as más vão para todos lugares. E que colorín colorado, esta historia no ha acabado.' Teresa Meana - Sexismo e Linguagem - algumas notas [...]"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://enrebeldia.blogspot.com/2006/11/sexismo-en-el-lenguaje-apuntes-bsicos.html , acessado em dezembro/2007.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-5533884255634703314?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2009/07/mulheres-escritoras-heroinas-memoraveis.html</link><author>noreply@blogger.com (smelly cat)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-366771553827449117</guid><pubDate>Wed, 13 May 2009 12:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-13T05:14:02.077-07:00</atom:updated><title>Semana do Babado - 11 a 15 de maio</title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Manifesto: corpos e violência&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;O machismo, o racismo e a homofobia são por excelência violentos. Violência que atinge não só o corpo mas que nos agride psíquica e simbolicamente. A violência da imposição de papéis, de um modelo sexual, de padrões de comportamento. A violência que marca o corpo mas também aquela que apesar de não deixar marcas físicas nos silencia cotidianamente. Queremos uma sociedade na qual diferenças não sejam um fator de hierarquização e violência. Que o nosso corpo (seja cor da pele ou sexo) não seja fator de exclusão. Que possamos viver nossa vida sem os papéis de gênero e exercer livremente nossa sexualidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Não queremos pouco, desejamos implodir essa sociedade sexista e homofóbica. Cansamos de pedir o possível, o assimilável. Queremos tudo, tudo que nos foi e é negado. É claro que sabemos que não basta nossa vontade para transformar essa realidade e que esse processo é violentamente lento. Queremos com esse evento socializar discussões que realizamos dentro do Coletivo Feminista e do NUDU. Debater essa violência que sofremos muitas vezes calados/as no dia-a-dia, achando, muitas vezes, que é um problema pessoal, privado. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Queremos trocar experiências, soltar a língua, descobrir afinidades.&lt;br /&gt;Queremos nos conhecer, discutir nossos corpos, nossas angústias, enfrentar os fantasmas que nos perseguem e dizer em alto e bom som abaixo a hipocrisia, o machismo, a homofobia e todo esse sistema que sustenta tanta iniqüidade e opressão. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;Perceber que nas manifestações cotidianas do machismo, racismo e homofobia há estruturas que precisam ser combatidas coletivamente, assim certamente será um primeiro passo da nossa longa batalha.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#000099;"&gt;&lt;strong&gt;Programação da Semana do Babado:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;Segunda-feira, 11/05/2009, 19horas em São Paulo&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abertura da frente estadual contra a criminalização do aborto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira, 13/05/2009, 12horas no CALL/Unicamp&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Literatura e Sexualidade - Debate com a professora Suzi Sperber&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira, 13/05/2009, 17:30 no CAE/Unicamp&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cine CAE: "Entrando numa fria" + Debate&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quarta-feira, 13/05/2009, 17:30 no CACH/Unicamp&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A crise e os seus desdobramentos para a mulher negra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mesa de debate + Filme + Bate-papo&lt;br /&gt;Quarta-feira, 13/05/2009, 17:30 no CACT/Unicamp&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As várias formas de violência contra as mulheres&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira, 14/05/2009, 17horas numa sala da FEF/Unicamp&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mulheres e corpo no esporte - Debate com a professora Helena Altmann&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;depois, happy-hour temático às 17:30no CAEF&lt;br /&gt;Sexta-feira, 15/05/2009, 23horas no IFCH&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bafão de encerramento!! &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Organização: Coletivo Feminista e NUDU (Núcleo de diversidade da Unicamp)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-366771553827449117?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2009/05/semana-do-babado-11-15-de-maio.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-5389318671859533063</guid><pubDate>Tue, 12 May 2009 22:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-12T15:26:38.100-07:00</atom:updated><title>Mãenifesto</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Segue o manifesto que acompanha a &lt;strong&gt;Exposição de fotos sobre "Mães" Universitárias&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;br /&gt;O texto é um alerta sobre a importância da Assistência Estudantil para mães e pais enquanto estudantes universitários. Uma crítica à postura radical da universidade em tratar seus alunos como meras máquinas científicas.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos estudantes e fazemos parte de uma lógica comum: estudar, nos formar, casar, constituir uma família e sermos felizes para sempre!... Entretanto, as entrelinhas não estão expostas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ser mãe, ou pai, enquanto universitário é algo que a Universidade não poderia prever, visto que, a taxa de natalidade não aumenta apenas na periferia, como muitos afirmam. E que, por isso, instituições como essas não estão preparadas, suficientemente, para garantir uma assistência estudantil mínima aos alunos que se encontram em casos específicos, como este.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para agravar ainda mais a situação, neste ano, os estudantes que têm filhos com 7 anos ou mais não puderam participar do processo seletivo para os estúdios da Moradia Estudantil. Os argumentos para justificar tamanho absurdo ainda não estão claros, mas não pudemos pensar em nada que justifique tanto descaso e que contradiga os preceitos de defesa da vida, agora não só da mãe ou pai, mas também do filho, o filho que eles escolheram ter e criar, seguindo todos os padrões de normalidade. Os boatos são grandes e o SAE (Serviço de Apoio ao Estudante) não nos explica com clareza. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ouvimos, por aí, que a Moradia não é um lugar seguro para uma criança. Ficamos a imaginar o número de marginais que habita este lugar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Se nos apoiarmos em vitórias anteriores do movimento estudantil para discutirmos sobre assistência estudantil, vemos que muito já foi ganho. Há menos de dez anos, por exemplo, uma mãe solteira não tinha direito a um estúdio. Apenas os casais que eram casados (regularizados em cartório) tinham direito a eles. Na carta de aceite do CNPq, por exemplo, os estudantes deveriam assinar um termo dizendo que, enquanto pesquisadores, na vigência da bolsa, não poderiam ter filhos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muita coisa mudou. Muitas lutas foram vitoriosas. E se hoje temos um processo mais democrático, devemos isto aos estudantes que lutaram por essas conquistas. Entretanto, acreditar que tudo vai bem e que não devemos lutar por novas medidas que sejam ainda mais democráticas é deixar de lado o que acontece aos estudantes que necessitam de um apoio de fato.Somos levados a pensar que tanto a Unicamp, como todas as universidades brasileiras não garantem uma Assistência Estudantil real para que seus alunos possam concluir seus estudos, sejam eles mães, pais ou aqueles que necessitam de auxílio básico, por não terem recursos para tanto. , O pressuposto é uma visão distorcida e distante da realidade em que nos encontramos: que alunos não são pais e nem deve sê-lo! E se o são, não é problema destas Instituições!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Perguntamos: O aluno-pesquisador deve se abster da vida e de seus direitos de cidadania em razão da carreira acadêmica? Até quando conseguiremos realizar o sonho destas grandes Universidades em nos tornar máquinas científicas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estamos em um lugar que preza o desenvolvimento da ciência. Mas, afinal, quem desenvolve a ciência senão as pessoas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Exposição: “Mães” Universitárias&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Local: Prédio Básico (PB) - Unicamp - de 11 à 15 de maio&lt;br /&gt;Texto: Larissa Lisboa, André Malavazzi e Mariana Santos de Assis.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Fotos: André Malavazzi e Larissa Lisboa&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-5389318671859533063?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2009/05/maenifesto.html</link><author>noreply@blogger.com (Larissa Lisboa)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-1086324700792034174</guid><pubDate>Wed, 01 Apr 2009 19:42:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-01T12:45:06.540-07:00</atom:updated><title>1° de abril - dia da mentira</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SdPEKJR9uWI/AAAAAAAAAAk/k0ZamGfd-I0/s1600-h/1+abril.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319811263423691106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SdPEKJR9uWI/AAAAAAAAAAk/k0ZamGfd-I0/s400/1+abril.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SdPDzMpw9MI/AAAAAAAAAAc/YU8M8Xfa_As/s1600-h/1+abril.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-1086324700792034174?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2009/04/1-de-abril-dia-da-mentira.html</link><author>noreply@blogger.com (Maria Angélica Fontão)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SdPEKJR9uWI/AAAAAAAAAAk/k0ZamGfd-I0/s72-c/1+abril.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-6308064250808294709</guid><pubDate>Wed, 25 Mar 2009 15:02:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-25T08:23:31.835-07:00</atom:updated><title>8 de março: Novas perspectivas para Campinas</title><description>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpQNT6jI/AAAAAAAAABM/m5gsBpM06Ik/s1600-h/frente3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317145482161809970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 301px; CURSOR: hand; HEIGHT: 373px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpQNT6jI/AAAAAAAAABM/m5gsBpM06Ik/s320/frente3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpT9zCpI/AAAAAAAAABE/njGurBSczjs/s1600-h/frente.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317145483170482834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpT9zCpI/AAAAAAAAABE/njGurBSczjs/s320/frente.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpW2PwQI/AAAAAAAAAA8/o9Pk4NB_ssk/s1600-h/frente2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317145483944116482" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpW2PwQI/AAAAAAAAAA8/o9Pk4NB_ssk/s320/frente2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpMFMJII/AAAAAAAAAA0/mp7Vtkx3nY8/s1600-h/frente+4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317145481054004354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpMFMJII/AAAAAAAAAA0/mp7Vtkx3nY8/s320/frente+4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLowL1WmI/AAAAAAAAAAs/aIM161nXNnc/s1600-h/frente+5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5317145473565678178" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLowL1WmI/AAAAAAAAAAs/aIM161nXNnc/s320/frente+5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas organizações de esquerda uniram-se para discutir possíveis intervenções sobre o 8 de março na cidade de Campinas, no interior de São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além de PSTU e PSOL, organizações não vinculadas à partidos políticos como o grupo Identidade e &lt;strong&gt;Coletivo Feminista&lt;/strong&gt; se reuniram, formando a &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Frente Mista de Campinas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, articulando intenvenções sobre a questão da mulher.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para descaracterizar o 8 de março de hoje, estereotipando um caráter festivo, a frente mista surgiu para lutar contra as intervenções (im)postas pelo governo atual, como a Marcha Mundial de Mulheres, em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Campinas, a Coordenadoria da Mulher, em parceria com o atual governo (PT) fariam mais um ano de propagação desses estereótipos, desvincilhando o caráter de luta e crítica à sociedade atual, não só opressora como exploradora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para ir contra o ato da Coordenadoria, que traria um dia de festa para a mulher campineira, com shows, espetáculos de danças, massagens e afins, faríamos o nosso próprio ato, contrariando o que o primeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decidimos por uma marcha fúnebre, trazendo alguns "personagens" do dia-a-dia de todas as mulheres, como a &lt;em&gt;noiva espancada&lt;/em&gt; (representação da crítica à sociedade patriarcal e à violência doméstica); A &lt;em&gt;menina assediada sexualmente -&lt;/em&gt;presa por um padre e um freira (alusão à menina de 9 anos que era estrupada pelo pai, ficou grávida, fez um aborto e a Igreja excomungou não apenas ela como toda a sua família -menos o estuprador, porque não fez nada que afete a moral cristã) e outras tantas mulheres, vestidas de preto, marchando em protesto ao 8 de março de festa e amor, que prejudica ainda mais a luta pelos seus direitos e a tão sonhada igualdade de gênero.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo ocorreu bem! Conquistamos muitos olhares, alguns espantados, outros contrariados, mas o saldo foi positivo! Conversamos não apenas com muitas mulheres, mas com homens também! Quando chegamos ao ato da Coordenadoria, fomos recebidas com grande satisfação. Pudemos conversar com algumas delas e discutir um pouco o caráter diferencial do nosso ato. Foi a discussão com o "inimigo político" mais pacífica que poderia existir!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece que Campinas caminha no sentido oposto ao 8 de março já conhecido. A formação da Frente Mista nada mais é do que o resultado de muitas discussões e lutas dessas organizações. E, contrariando os que desprezam as ações atuais, temos sim, grandes resultados!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além da intervenção nas ruas de Campinas, tivemos mais duas atividades: A exibição do filme &lt;em&gt;Operárias do Mundo&lt;/em&gt;, no Museo da Imagem e do Som e da Mesa de Debate: &lt;em&gt;A Crise e a vida das Mulheres&lt;/em&gt;, tratando especificamente da mulher trabalhadora. Ambas foram engrandecedoras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Larissa Lisboa&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-6308064250808294709?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2009/03/8-de-marco-novas-perspectivas-para.html</link><author>noreply@blogger.com (Larissa Lisboa)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_9mO-mnGTwpM/ScpLpQNT6jI/AAAAAAAAABM/m5gsBpM06Ik/s72-c/frente3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-4213044597514318152</guid><pubDate>Tue, 03 Mar 2009 23:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-05T06:46:15.885-08:00</atom:updated><title>Boletim do Coletivo Feminista - Março/2009</title><description>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/Sa_lAdxwYlI/AAAAAAAAAAU/DYhzlRAokdo/s1600-h/feminismo+estudiantil.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309714281849184850" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 195px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/Sa_lAdxwYlI/AAAAAAAAAAU/DYhzlRAokdo/s320/feminismo+estudiantil.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;color:#993399;"&gt;130 anos da abertura do ensino superior &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:180%;color:#993399;"&gt;brasileiro às mulheres&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:180%;color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:180%;color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;A fundação das primeiras universidades no mundo datam da Idade Média. Mas a permissão para o ingresso de mulheres nessas instituições é um evento bem mais recente. Muitos são os que acham que só barreiras sociais (preconceitos, baixo nível de escolaridade, etc) impediam esse acesso. Entretanto, havia mecanismos legais que proibiam as mulheres de freqüentarem cursos superiores. Suíça e França foram pioneiras na abolição dessa proibição em 1860. No Brasil somente em 1879 as universidades foram autorizadas a receber mulheres como discentes (Decreto n. 7247 de 19 de abril de 1879- Reforma Carlos Leôncio de Carvalho) [Se considerarmos uma geração como 30 anos, são apenas quatro gerações de mulheres!] Mas a conquista desse direito foi resultado de anos de lutas e embates sobre o papel da mulher na sociedade.&lt;br /&gt;A luta por acesso à educação (não só superior) foi uma importante bandeira de feministas no século XIX. No Brasil, uma feminista pioneira, Nísia Floresta, defendia já na década de 1850 . Em 1827 a educação pública destinada às mulheres foi regulamentada mas somente para nível elementar. Longa seria a batalha para conquistar acesso ao que hoje chamamos ensino médio. Mas é preciso ressaltar que poucos eram os brasileiros que tinham acesso mesmo aos níveis mais básicos de escolaridade, exclusão que ficava ainda maior entre mulheres e negros. Em 1872, por exemplo, 11% das mulheres eram alfabetizadas (20% dos homens o eram), cinqüenta anos depois, 20% das mulheres brasileiras eram capazes de ler. Mas mesmo essas recebiam uma educação diferenciada. O currículo das escolas para meninos e para meninas eram distintos e se baseavam no papel que a sociedade considerava apropriado para os diferentes sexos. Preparavam assim as meninas para as atividades de mãe e esposa e os meninos para atuarem na esfera pública.&lt;br /&gt;Percebe-se, portanto, que para além da proibição legal, muitas eram as dificuldades enfrentadas por aquelas que se aventurassem a desejar cursar ensino superior. A primeira médica brasileira, Maria Estrela, teve que se mudar para os Estados Unidos para conseguir realizar seu sonho de formar-se em medicina. Maria Estrela ajudou a abrir caminho para a discussão sobre acesso das mulheres em tal nível de ensino. Em 1878 o pai de Josefa Aguededa de Oliveira enviou ao legislativo provincial de Pernambuco uma petição para enviar sua filha ao exterior para estudar medicina. A isso se seguiu um acalorado debate sobre as capacidades das mulheres para atividades científicas. O pedido foi rejeitado mas por fim recebeu ajuda financeira de vários indivíduos. Nos EUA ambas as estudantes escreveriam um jornal, A Mulher, defendendo a educação superior para mulheres:&lt;br /&gt;“[Somos] duas brasileiras que abandonando a Pátria, que separando-nos do seio das caras famílias, fizemos o grande sacrifício de vir estudar medicina, no intuito de ser úteis ao nosso país, e de servir a humanidade aflita.” (HANNER, 2000: 142)&lt;br /&gt;Nas páginas dos primeiros jornais brasileiros defensores da emancipação feminina no século XIX muitos eram os apelos por acesso aos níveis secundário e superior e uma educação de melhor qualidade, que não se restringisse ao ensino de leitura e afazeres domésticos. Em 1875 Francisca Diniz no jornal O sexo feminino...&lt;br /&gt;“É tempo de reparardes a injustiça que nos haveis feito, conservando-nos trancadas todas as portas dos estabelecimentos de ensino superior. Ouvi-nos! Temos até aqui sofrido resignadas toda a sorte de humilhações e de injustiças. Agora, porém, que a taça transbordou, ousamos levantar nossas débeis vozes pedindo-vos, repitamos – reparação dos vossos erros e de vossas injustiças.”&lt;br /&gt;Muitas seriam as batalhas para que as portas dessas instituições se abrissem. As discussões sobre o fim da proibição foram marcadas por um intenso debate. As idéias sobre a inferioridade intelectual feminina foram frequentemente utilizadas para se posicionar contra essa proposta. Outro argumento era sobre a função da mulher, que deveria se dedicar aos filhos e maridos, não cabendo exercer uma profissão (apesar de muitas das mulheres das classes populares trabalharem). Críticas à co-educação (homens e mulheres numa mesma sala), que pretensamente levaria a uma promiscuidade sexual, também foram usadas. Mesmo depois de 1879, com a abertura das universidades para mulheres, apenas um pequeno número conseguiu ter acesso. Pressões e desaprovações sociais, poucas mulheres com nível secundário de ensino eram algumas das dificuldades. Depois de entrar, haveriam outras. Elas tinham que ser acompanhadas por um homem para poderem freqüentar as salas e sentarem-se em cadeiras separadas dos homens pois a convivência entre os sexos eram algo considerado nocivo.&lt;br /&gt;Somente em 1887 o Brasil teria sua primeira mulher formada em nível superior, a médica Rita Lobato Velhos Lopes. A ela se seguiram algumas outras mulheres mas não muitas. Para se ter uma idéia, entre 1890 e 1950 a Faculdade de Medicina da Bahia, pro exemplo, formou 3979 homens e apenas 117 mulheres.&lt;br /&gt;Muitos anos se passariam antes que a entrada das mulheres nas universidades deixasse de ser uma exceção. O grande salto ocorreu entre as décadas de 1950 e 1970, quando a matrícula no nível superior aumentou de 26% em 1956 para 41,5% em 1971. Isso não significa que o acesso aos diferentes cursos tenha sido igual. As mulheres se concentravam nas carreiras consideradas apropriadas às mulheres tais como Letras, Pedagogia, Psicologia, História e Geografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E hoje?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já se passaram 130 anos. O que mudou desde lá? Muita coisa, certamente. Hoje a presença das mulheres nas universidades do país já supera a dos homens. Entretanto, a distribuição entre os cursos está longe de ser igual. Infelizmente velhos preconceitos (atualizados cotidianamente) sobre o papel da mulher e sobre suas capacidades continuam norteando as escolhas profissionais de homens e mulheres. No século XIX muitos procuravam explicar as diferentes habilidades e menor intelegencia de negros e mulheres através da medição do cérebro. Hoje algumas pesquisas procuram fazer o mesmo com as mulheres através da genética.Na Unicamp, 59,4% dos matriculados em 1998 eram homens e 40,6% mulheres. Nos últimos dez anos deu-se um aumento no número de mulheres. 55,2% dos matriculados no ano de 2008 eram homens e 44,8% mulheres. Na USP também há uma ligeira maioria de homens. Dados de 2000 mostram que 57% dos alunos eram homens e 43% mulheres.&lt;br /&gt;Mas o que é mais espantoso é a distribuição entre os cursos. Se existe de fato carreiras procuradas por homens e mulheres em proporção semelhante, outros cursos são verdadeiros guetos masculinos e femininos. Engenharia da computação teve entre os matriculados em 2008, 97,8% de homens (a mesma porcentagem de 1998), 94% dos matriculados em Engenharia de Controle e Automação, 90% do curso de música popular e 80,5% do “Cursão”. Na Engenharia elétrica somente 12,7% dos matriculados em 2008 são mulheres, em engenharia mecânica, 10,6%. Algumas engenharias, como engenharia química tem um perfil mais equilibrado. A única engenharia que tem maioria de mulheres é engenharia de alimentos (78% dos matriculados em 2008). Provavelmente porque é uma engenharia considerada mais apropriada a mulheres.&lt;br /&gt;Se alguns cursos são o “clube do bolinha”, outros parecem o “clube da luluzinha”. O curso de farmácia teve 92,5% dos matriculados mulheres, fonoaudiologia 90%, enfermagem 87,5%, dança 87,5%, pedagogia diurno 82,2% e noturno 87,2%. 80% dos matriculados em artes cênicas&lt;br /&gt;Felizmente alguns cursos têm um perfil mais equilibrado tais como estudos literários, ciências sociais, química, medicina, por exemplo.&lt;br /&gt;Na USP a divisão desigual também é bastante evidente. Dados de 2000 mostram que em 5 dos seus cursos, os homens são mais de 80% dos estudantes: todas as escolas de Engenharia da Capital ou de outras cidades, Matemática, Computação, Física;&lt;br /&gt;Por outro lado somando as alunos de Enfermargem, Farmácia, Educação, Veterinária, Saúde Publica, Odontologia e Psicologia, 76% são mulheres.&lt;br /&gt;Dados de 2000 mostram que na USP havia 3.148 professores e 1.546 professoras. Não dispomos desses dados da Unicamp. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#993399;"&gt;&lt;strong&gt;Maternidade versus Universidade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;As universidades públicas em geral não estão preparadas para receber estudantes que são mães. Na Unicamp a assistência estudantil atende algumas demandas dos estudantes com filhos, oferecendo alguns estúdios (casas na moradia estudantil para estudantes com filhos), a possibilidade de tirar licença das atividades de aula, etc. Entretanto, essa assistência está longe do ideal. O número de vagas nesses estúdios beira o ridículo e as creches ainda configuram um sonho distante para a maioria das mães que buscam assistência estudantil para manter uma vida acadêmica e sua família com o mínimo de dignidade. Além disso, as estudantes de pós-graduação não têm acesso à licença maternidade durante o período de vigência de bolsas de mestrado e doutorado. Ficam, assim, à mercê do orientador(a), podendo, inclusive, perder a bolsa.&lt;br /&gt;Recentemente um outro evento veios nos surpreender trata-se de uma proposta de resolução que impede a permanência de mães com filhos maiores de 7 anos de idade na Moradia Estudantil - essas mães inclusive já não puderam participar do processo seletivo desse ano, ou seja, elas devem sair da moradia com seus filhos. Ainda não conhecemos os argumentos que justificam tamanho absurdo, mas não podemos pensar em nada além de puro descaso. O que essa proposta nos fez pensar foi que a visão da Unicamp, e não só dela, como de todas as Universidades que não garantem uma Assistência Estudantil real para seus alunos, sejam eles mães, pais ou apenas alunos que necessitam de auxílio para conseguir concluir seus estudos, carrega nas suas entrelinhas uma visão distorcida da realidade: que alunas não são mães e nem devem ser&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;! E se o são, não é problema desta&lt;/span&gt; Instituição! E nós perguntamos: O aluno pesquisador deve se abster da vida e de seus direitos em razão da carreira acadêmica? Até quando conseguiremos realizar o sonho destas grandes universidades em nos tornar máquinas científicas? Façamos uma reflexão sobre os direitos das mulheres na Universidade! Estamos em um lugar que preza pelo desenvolvimento da ciência, mas afinal quem desenvolve a ciência senão as pessoas?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Na Universidade Federal de São Carlos a assistência estudantil se constitui por bolsas atividades (atividades remuneradas na universidade) e alojamento estudantil. O alojamento, contudo é constituídos por quartos coletivos, desse modo as estudantes financeiramente carentes que já tinham filhos ao entrarem na universidade e as que os tiveram no decorrer da graduação, ficavam excluídas do processo seletivo do alojamento. Diante desses casos, que não são raros, a universidade, representada por suas assistentes sociais, negavam o direito destas estudantes à moradia estudantil, havendo caso em que até mesmo a bolsa atividade fora negada a uma estudante mãe. O argumento da assistente social foi de que o caso da estudante era um caso isolado e de que a universidade não estava preparada para receber estudantes como ela.&lt;br /&gt;No entanto, o caso desta estudante não era isolado e após algumas chamadas, através de cartazes pela universidade, várias estudantes se manifestaram relatando estarem em situação similar, a saber, de dificuldade financeira e sem o apoio da assistência estudantil.&lt;br /&gt;Formou-se um grupo de mães (mas aberto a pais) universitárias que reivindicava o direito, já garantido pela LDB, de igualdade de acesso e permanência na universidade. A pressão exercida pelo grupo resultou na inclusão de uma nova categoria de bolsa na assistência estudantil, destinada às estudantes mães financeiramente carentes. Como não há espaço adequado para crianças no alojamento estudantil o principal objetivo da bolsa é garantir moradia, via aluguel a critério das estudantes.&lt;br /&gt;A idéia que permeia todo esse problema de ordem social é a de que a mulher é naturalmente mãe, logo deve se isentar de uma vida “fora do lar” seguindo a ordem “natural” das coisas. A vida “fora do lar” seria um capricho possível no mundo contemporâneo, mas que vai contra a “ordem natural das coisas”. Logo, ou se é uma mulher de verdade, dedicada exclusivamente a sua vocação de mãe ou não. A mãe é idealizada como um ser cuja vida foi abdicada em função dos filhos é o símbolo maior do sacrifício. Como um ser assim pode ter sucesso em qualquer outro âmbito da vida que não o lar?&lt;br /&gt;Creio que o problema se situa na própria concepção de mãe e mulher presente no imaginário social. Concepção ancorada em idéias acerca da natureza distinta da mulher e do homem, cuja qual, a mulher com uma profissão realiza um capricho e a vida profissional é incompatível com a maternidade idealizada, caracterizada pelo sacrifício. Reitero que essas concepções que relatei são ideais que definitivamente não correspondem à realidade da vida cotidiana de muitas das mulheres brasileiras, mas explicam muito sobre as atitudes e pensamentos que contribuem para a opressão das mulheres nessa sociedade.&lt;br /&gt;Percebe-se, portanto, que, embora o número de mulheres tenha crescido substancialmente nas universidades brasileiras, as escolhas dos cursos continua norteada por papéis de gênero. Cursos que exigem tipos de raciocínio e trabalho considerados masculinos como nas áreas de exatas em geral são majoritariamente procurados por homens. Por outro lado, cursos que lidam com habilidades tidas como femininas como o cuidar, ensinar etc (ex: enfermagem, pedagogia etc) são ocupados por uma maioria de mulheres.&lt;br /&gt;Há, portanto, muito a se fazer para que as meninas se sintam atraídas por áreas como física, matemática e engenharias. Há todo um processo de socialização que faz com que mulheres desenvolvam algumas habilidades e outras não. Desde pequenos, homens e mulheres já são preparados para desenvolver tipos diferentes de atividades. Os brinquedos, os incentivos familiares são fatores fundamentais nesse processo. Será necessário uma transformação muito profunda em nossa sociedade para que homens e mulheres exerçam profissões independente do seu sexo. Estaremos na luta para mudar essa realidade, por mais que os resultados sejam lentos e pouco palpáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#993399;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-4213044597514318152?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2009/03/boletim-do-coletivo-feminista-marco2009.html</link><author>noreply@blogger.com (Maria Angélica Fontão)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/Sa_lAdxwYlI/AAAAAAAAAAU/DYhzlRAokdo/s72-c/feminismo+estudiantil.png' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-7941049581993225134</guid><pubDate>Thu, 06 Nov 2008 17:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-06T09:41:34.414-08:00</atom:updated><title>Manifesto pelo Estado laico</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Duas iniciativas que estão tramitando na Câmara Municipal de Campinas (SP)  representam uma ameaça ao Estado Democrático: um Projeto de Lei que determina a leitura da Bíblia antes de todas as sessões oficiais (autoria da vereadora Teresinha de Carvalho - PMDB) e um Requerimento (autoria do vereador Jorge Schneider - PTB) que solicita a recolocação do crucifixo no plenário. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segue o nosso Manifesto:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Novamente a laicidade do Estado é colocada em questão. O projeto de lei que determina a leitura da bíblia antes de todas as sessões oficiais e um requerimento de recolocação de um crucifixo no plenário é um insulto ao que se denomina Estado laico cuja principal premissa deveria ser o respeito pela diversidade religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tal fato não podemos nos furtar a discutir a validade da democracia da República Brasileira construída sobre as bases do cristinaismo e do qual não consegue desvencilhar-se para discutir de maneira imoarcial e inteligente os direitos do povo brasileiro. E como poderia ser diferente uma vez que o texto-base dos direitos do cidadão, a Constituição, traz em seu preâmbulo uma clara alusão a ideologia cristã: “com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom exemplo das consequências desastrosas dessa postura de nossas autoridades é a discussão sobre descriminalização do Aborto; Uma luta travada desde a década de 70 no Brasil e que não acançou a vitória graças ao posicionamento anti-democrático e anti-laico dos nossos representantes políticos, os quais a avaliam de forma ideológica e não como uma questão de saúde pública. Infelizmente a religiosidade impera sobre as estatísticas de óbito de tantas mulheres, que sofreram as consequências do desrespeito ao direito de decidir sobre o seu próprio corpo, e ainda são duramente rechaçadas nos atos e protestos feitos em todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que as mobilizações em favor da descriminalização tenham aumentado, a autonomia que o poder legislativo tem sobre a execução de uma lei que trate desta questão, com tantos políticos que partem de suas crenças individuais, ainda impera sobre a massa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro exemplo da parcialidade de nossas políticas públicas é o envolvimento da religião no ensino público com o respaldo da Lei de Diretrizes e Bases (a maior lei que trata das questões educacionais do país, com base nos princípios da Constituição). Em seu 33º artigo consta a prática do ensino religioso nas escolas públicas de ensino fundamental, de forma facultativa, previsto dentro do horário escolar. Para que a lei entre em vigor, basta apenas que cada escola trate desta questão de forma particular, em parcerias com as igrejas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, mais uma vez, vemos projetos antidemocráticos em discussão na câmara. E então perguntamos: Até quando vamos tratar do nosso país sob a cruz da intolerância cristã? E em última instância, até quando vamos deixar de resolver grandes problemas em razão de questões individuais? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mariana Santos de Assis&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Larissa Lisboa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-7941049581993225134?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/11/manifesto-pelo-estado-laico.html</link><author>noreply@blogger.com (Larissa Lisboa)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-7551918357822726471</guid><pubDate>Tue, 28 Oct 2008 02:17:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-10-27T19:21:10.395-07:00</atom:updated><title>Assassinato de Eloá</title><description>Escrevo este breve texto não para julgar a ação da polícia, mas para demonstrar o quanto ainda persiste na sociedade, e, portanto, em suas instituições, concepções patriarcais de gênero. Concepções estas nas quais as mulheres são entendidas como objetos de propriedade dos homens, sejam eles pais, irmãos, namorados ou maridos. Ao não aceitarem a subordinação mulheres tem de enfrentar homens que se consideraram seus proprietários mesmo nunca tendo havido um consentimento para tanto.&lt;br /&gt;Foi o que aconteceu com Eloá, a jovem assassinada por Lindenberg, seu ex-namorado. O mesmo não aceitando a separação e a possibilidade de perder para outro homem o que considerava por direito- natural ou divino- ser sua propriedade resolveu por elimina-la.&lt;br /&gt;Como se não bastasse esse assassinato ser a expressão mais cruel do desejo de dominação de alguns homens sobre mulheres, o comandante da operação ainda fornece outra indicação de como a operação policial, sob seu julgo, corroborou com as concepções machistas/ patriarcais compartilhadas por Lindenberg e parte da sociedade. Ao explicar, em entrevista coletiva à imprensa, o motivo de ter optado por não aplicar o “tiro de misericórdia” - prática de ação policia em casos em que a negociação não progride e a vida das vítimas se encontra em risco - o comandante colocou que se tratava de “um rapaz jovem de 22 anos sem antecedentes criminais e que havia sofrido uma decepção amorosa”.&lt;br /&gt;Vejam, a violência de gênero, ou seja, violência cuja causa e intento é a subjugação das mulheres, é colocada como externalização de uma decepção amorosa. O assassino é considerado um rapaz bom que teve uma decepção amorosa. A “decepção amorosa”, ou defesa da honra, justifica o crime. Quer dizer: ele está certo em querer cobrar a mulher que o deixou e o comandante da operação parece o entender, como se colocando no lugar dele: não o condenarei, pois talvez em situação similar agisse como ele. A culpada ao fim da história passa ser a vítima. &lt;br /&gt;O crime de adultério, embora não mais presente no código penal, parece ainda ser celebrado. O tratamento dado ao episódio tem por base as idéias que subjazem à reivindicação de um crime de adultério. E nesse sentido, esse trágico caso é  exemplar de como ainda a sociedade não está livre dessa opressora idéia de que a mulher deve ser propriedade do homem.&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Camila Firmino - integrante do Coletivo Feminista&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-7551918357822726471?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/10/assassinato-de-elo.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-8297248346445135433</guid><pubDate>Tue, 09 Sep 2008 00:13:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-09-08T17:22:09.629-07:00</atom:updated><title></title><description>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;• Atendimento à Mulher&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5243809510108825346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_bAkWVufiTAI/SMXA92_aBwI/AAAAAAAAAEQ/DwivT5poI9k/s320/ligue180.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Central de Atendimento à Mulher&lt;br /&gt;A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 – funciona 24 horas por dia, de segunda à domingo, inclusive feriados. A ligação é gratuita e o atendimento é de âmbito nacional.Atendimento qualificado – A Central funciona com atendentes capacitadas em questões de gênero, nas políticas do Governo Federal para as mulheres, nas orientações sobre o enfrentamento à violência contra a mulher e, principalmente, na forma de receber a denúncia e acolher as mulheres. Utilizam um banco de dados com mais de 260 perguntas e respostas elaboradas com base nas informações disponíveis na Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) e em todas as denúncias já recebidas por sua Ouvidoria. A capacitação das atendentes foi desenvolvida em parceria com o Instituto Patrícia Galvão, de São Paulo.A criação da Central atende a uma antiga demanda dos movimentos feministas e de mulheres e de todos aqueles que atuam no contexto de mulheres em situação de violência. Além de encaminhar os casos para os serviços especializados, a Central fornecerá orientações e alternativas para que a mulher se proteja do agressor. Ela será informada sobre seus direitos legais, os tipos de estabelecimentos que poderá procurar, conforme o caso, dentre eles as delegacias de atendimento especializado à mulher, defensorias públicas, postos de saúde, instituto médico legal para casos de estupro, centros de referência, casas abrigo e outros mecanismos de promoção de defesa de direitos da mulher.As beneficiárias diretas desse serviço serão as mulheres, mas o enfrentamento à violência contra a mulher repercute positivamente sobre toda a sociedade. Com a Central de Atendimento, todas as mulheres poderão receber atenção adequada quando em situação de violência, sem nenhuma exposição, pois o sigilo é absoluto e a identificação será opcional. Mas não só as mulheres que podem acionar os serviços. Homens que queiram fazer denúncias de casos de violência contra a mulher serão bem acolhidos.A Central de Atendimento à Mulher é uma parceria da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) e as empresas Embratel, Eletronorte, Eletrobrás, Furnas e do Disque Denúncia do Rio de Janeiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Disponível em: &lt;a href="http://200.130.7.5/spmu/portal_pr/atendimento/central.htm"&gt;http://200.130.7.5/spmu/portal_pr/atendimento/central.htm&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-8297248346445135433?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/09/atendimento-mulher-central-de.html</link><author>iel.mary06@gmail.com (Mari)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_bAkWVufiTAI/SMXA92_aBwI/AAAAAAAAAEQ/DwivT5poI9k/s72-c/ligue180.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-9026555302105383439</guid><pubDate>Fri, 22 Aug 2008 22:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-22T16:12:42.919-07:00</atom:updated><title>Pré-lançamento do filme " O aborto dos outros"</title><description>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SK9FObVZfiI/AAAAAAAAAAM/cdQfGz_SxFU/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SK9FObVZfiI/AAAAAAAAAAM/cdQfGz_SxFU/s320/1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5237481005813169698" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O filme "O aborto dos outros",  que traz a tona a questão da realização de aborto no Brasil (tantos os casos legais quanto os casos clandestinos) e aponta os efeitos perversos da sua criminalização, será exibido, em sessão especial, no Memorial da América Latina (São Paulo). Logo após a apresentação, haverá um debate com a diretora, Carla Galo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Quando?&lt;/span&gt; 28 de agosto de 2008&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Onde?&lt;/span&gt; Memorial da América Latina - Espaço de Vídeo/Pavilhão da Criatividade&lt;br /&gt;        Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 São Paulo - SP&lt;br /&gt;        Tel. 3823-4600&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Entrada Franca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mais informações: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;http://www.memorial.sp.gov.br/memorial/RssNoticiaDetalhe.do?noticiaId=1322&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-9026555302105383439?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/08/pr-lanamento-do-filme-o-aborto-dos.html</link><author>noreply@blogger.com (Maria Angélica Fontão)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_JoorVUz-cmY/SK9FObVZfiI/AAAAAAAAAAM/cdQfGz_SxFU/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-6185369505793129246</guid><pubDate>Wed, 20 Aug 2008 15:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-08-20T08:52:27.270-07:00</atom:updated><title>desabafos feministas</title><description>&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;Emoções de outros tempos que às vezes são nossas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;(essa é para inspirar a reunião de hoje...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;Beijos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;ferNandaLeão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#6600cc;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Volto de uma reunião feminista. Exaltação e fervor na maioria das participantes. De resto, a mesma confusão de toda revolução ainda no início. Discussões bizantinas em torno de palitos quando o essencial...Muita vontade de afirmação pessoal, muita vontade de poder na mesma linha machista. Digressões e agressões desnecessárias. Algumas das revolucionárias sabem. Mas são poucas as que sabem e desenvolvem um raciocínio claro. Na maioria, a perplexidade, fico comovida. Mas não tem importância, nenhuma importância a confusão e os desencontros de direção e de linguagem: quando na Torre de Babel alguém pedia uma tábua, atiravam um tijolo. Toda revolução desse tipo tem que ir mesmo por paus e pedras, nenhum prejuízo nisso, pois não é o próprio sistema que está sendo revolvido? Não tem ainda a revolução uma base na massa mas esse fato também me parece normal, ocorre o mesmo em todas as partes do mundo onde se levantou a bandeira. Tempo de espera.&lt;/em&gt;"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#6600cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Lygia Fagundes Telles - "29 de outubro".  &lt;em&gt;A Disciplina do Amor, &lt;/em&gt;1980.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-6185369505793129246?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/08/desabafos-feministas.html</link><author>noreply@blogger.com (Fernanda Leão)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-8706786769164191853</guid><pubDate>Wed, 25 Jun 2008 19:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-25T13:10:20.959-07:00</atom:updated><title>(Des)Convite à cerveja. Os jogos implícitos</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Eu nunca fui uma pessoa antipática. Muito pelo contrário, independente do meu humor, nunca descontava nas pessoas o que acontecia comigo, individualmente. E então, eram sorrisos por todos os lados, independente do sexo, idade ou religião. Tanto a tia do cafezinho como o chefe, tentava tratar a todos da mesma maneira, com muita cordialidade. Claro que, simpatia e cordialidade são ações completamente distintas, porém, sempre fazia um esforço para que elas pudessem parecer as mesmas.&lt;br /&gt;Algumas pessoas sempre me intrigavam por não entender o meu posicionamento e foi o que aconteceu na história que contarei.&lt;br /&gt;Conversava, há alguns anos, com um grupo de homens que trabalhava no restaurante universitário. Como eu comia todos os dias por lá, sempre os encontrava e fazia questão de dar apenas um ‘oi’, mesmo não tendo muito assunto com eles. Sempre pensei que as pessoas pudessem trabalhar com o coração mais cheio de felicidade, assim que ouvissem um “obrigada” ou um sorriso sincero. Afinal, quem não gosta de ser bem tratado, independente de onde esteja?&lt;br /&gt;Foi então que um dia, um deles me convidou para sair e tomar uma cerveja. Sem pensar em nada, afinal era apenas uma cerveja, como as que tomo com tantos amigos e amigas, aceitei o convite. Porém, sempre muito enrolada, nunca podia sair na data em que combinávamos. Passado algum tempo, ele também convidou uma amiga e ficamos devendo uma saída com ele. Confesso que fiquei até mais aliviada quando ele a convidou, pois, como não tinha interesse algum nele, a não ser em bater um bom papo, pude ter a certeza de que ele não planejava uma saída a dois e seria mais difícil de tentar armar um clima de romance se quisesse.&lt;br /&gt;O tempo passou e nada de sairmos; cada dia era um problema: ou nós não tínhamos tempo, ou estaríamos fora da cidade etc etc. E sempre que tentávamos remarcar a data, um de seus amigos sempre me olhava, com um olhar desconfiado e um tanto comprometedor. Sentia um desconforto tremendo com este &lt;em&gt;olhar&lt;/em&gt; e ficava mais encabulada quando, além do olhar, ele soltava algumas &lt;em&gt;risadinhas&lt;/em&gt;. Muitas vezes, evitava conversar com eles, para que não passasse por este desconforto. A situação começou a ficar muito chata.&lt;br /&gt;Foi aí que num dia qualquer, enquanto remarcávamos, mais uma vez, a nossa ida ao bar, eu disse: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;“(...) ah, então tudo bem. Pode ser na sexta-feira. Eu ainda tenho alguns trabalhos, nesta semana, pra dar”.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E então, o outro cara, o do &lt;em&gt;olhar&lt;/em&gt;, disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;“É... eu sei o que você vai dar!” (risos).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No momento em que ele disse isso, fiquei sem reação. Na minha cabeça eu queria voar no pescoço dele, chamá-lo de machista, preconceituoso, ridículo, merda, escroto e muito mais. Mas não fiz nada. Absolutamente nada! Fiquei olhando para ele, enquanto ria. Quando ele parou de rir e viu que eu ainda estava olhando pra ele, calou-se. O outro cara, o do convite, ficou quieto e em nenhum momento se desculpou pelo amigo, pelo contrário, fingiu que nada aconteceu; Desconversou e voltou ao assunto da data. Enquanto falava, meu excesso de &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;ódio interno&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, agora por ele, também se alastrava: seu merda, idiota, otário, queria só me comer, é? Filho da puta!&lt;br /&gt;Mas o que eu fiz? &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;NADA!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Fui embora, desconcertada, constrangida, humilhada. Sentindo-me a pessoa mais ridícula do mundo. Como não tive reação? Como não falei tudo o que pensava para eles? Porque nós mulheres, sempre nos silenciamos nestes momentos? Fiquei tão pirada com o que aconteceu que comecei a refletir sobre todas as tantas vezes que fui silenciada &lt;em&gt;(por mim mesma?)&lt;/em&gt; em situações muito parecidas, desde com os próprios amigos, como com os namorados e mesmo a família.&lt;br /&gt;Depois de tudo o que aconteceu, o mito de que, pelo menos, no espaço universitário as pessoas respeitam os posicionamentos da mulher e seus direitos, foi desmascarado. Nunca me encontrei num lugar onde as pessoas tratassem de forma comum uma mulher tomando uma cerveja sozinha; nunca tive a oportunidade de ser convidada a tomar uma, sem que houvesse segundas intenções, a não ser que seja com amigos (não que eles também se excluam disso).&lt;br /&gt;O que o convite à cerveja representa, dentro da nossa sociedade? Até quando vamos ter medo de dizer o que pensamos e nos silenciar na nossa humilhação individual? &lt;/div&gt;&lt;p align="left"&gt;Não quero fazer deste texto um manifesto contra um simples ato cotidiano de muitos indivíduos, nem mesmo deixar de dizer que sou sim e continuo sendo mais uma das tantas adoradoras desta grande bebida que, as boas línguas dizem “&lt;em&gt;água que passarinho não bebe&lt;/em&gt;”. E mesmo depois de tudo isso, continuo com o mesmo posicionamento de sempre. Porém, gostaria que tratássemos deste simples ato (aparentemente simples) de uma forma mais reflexiva, como mais uma forma de ação social, referente ao nosso sistema atual, dentro de uma política excludente, sexista e desigual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Larissa Lisboa&lt;br /&gt;Coletivo Feminista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-8706786769164191853?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/06/desconvite-cerveja-os-jogos-implcitos.html</link><author>noreply@blogger.com (Larissa Lisboa)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-6095134777272830763</guid><pubDate>Mon, 23 Jun 2008 12:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-23T06:08:18.568-07:00</atom:updated><title>crônicas do cotidiano - pula fogueira iaiá</title><description>&lt;div align="center"&gt;enquanto a luta pela legalização do aborto se estrangula para derrubar certos moralismos, num mundo não muito distante eles se constróem. &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;inaugurando um projeto de crônicas do cotidiano, uma feminista que, de volta às suas raízes e lugares da infância, distanciadamente se indigna,&lt;br /&gt;ferNandaLeão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;: hoje, domingo frio e cinzento, acabo de voltar da apresentação da dança de festa junina da irmã (7 anos, 1ª série) de uma amiga.&lt;br /&gt;De um lado meninas, do outro meninos, ao fundo o som de ivete sangalo &amp;amp; zezé di camargo. eles de paletó&lt;br /&gt;elas...todas vestidas de noiva. todas brancas, flores, blush e pintinhas caipiras, véu, grinalda, repetidamente.&lt;br /&gt;As mães, antes em casa maquiavam e produziam os corpos de suas filhas, e entre o rimel e o batom diziam 'mas que noivinha linda, seu noivo vai se apaixonar, a mamãe tem tanto orgulho de você que já está crescendo e logo irá com papai ao altar'. tempo presente, roda formada, o público aguarda e elas sorriem, filmam, tiram fotos e comentam extasiadas como tudo aquilo é uma graça. tão pequenas e já tão mocinhas!&lt;br /&gt;corpos sensualizados rebolando e se fazendo de difícil acompanhando a música que ditando aquela fórmula ele+ela+matrimonio+sagrado+convenção (como se tudo isso fosse a unica saida para a complitude humana que se busca num amor encaixotado) na letra hermética dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tá com medo/De olhar nos meus olhos/Por que sabe que não vai segurar/Coco que balança cai/Se tem fumaça, tem fogo/Amor que fica não sai&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo/De olhar nos seus olhos/Porque sei que posso não resistir/Não quero pagar pra ver/Pra ter que sair daqui/Grudadinha com você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou abelha do seu mel/Tô na onda do seu mar/Sou a lua do seu céu/Sua estrela a brilhar/Sou sua outra metade/Quero entrar na sua história/Me carregue com você/Não me deixe lado de fora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amor assim fogoso/Não é fácil encontrar/Todo esse seu chamego/É só pra me conquistar/Sei das suas artimanhas/Do que você tá a fim/Toma seu jeito garoto/Que eu não quero encrenca/Pra mim"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(amor que fica)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e diante da cena, reverberava em minha cabeça versos do clássico junino...&lt;br /&gt;cuidado para não se queimar, pois a fogueira já queimou o meu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) continua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-6095134777272830763?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/06/crnicas-do-cotidiano-pula-fogueira-iai.html</link><author>noreply@blogger.com (Fernanda Leão)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-3838484706249601750</guid><pubDate>Thu, 19 Jun 2008 12:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-06-19T05:41:24.533-07:00</atom:updated><title>Questão do Aborto no Brasil - Entrevista com Débora Diniz</title><description>Entrevista realizada por &lt;strong&gt;Larissa Lisboa&lt;/strong&gt; - integrante do Coletivo Feminista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Débora Diniz &lt;/strong&gt;é doutora em Antropologia, Professora Adjunta da Universidade de Brasília e Pesquisadora da ANIS (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero). Autora da pesquisa “Aborto e Saúde Pública. 20 anos de pesquisa no Brasil” em parceria de Marilena Corrêa (UERJ), financiada pelo Ministério da Saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Coletivo Feminista&lt;/strong&gt;: &lt;em&gt;A Anis é uma Ong voltada para discussão da Bioética. O que é bioética e qual o seu papel dentro desta organização?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Débora Diniz:&lt;/strong&gt; Bioética é um campo novo. Olhando os diferentes outros campos, algumas pessoas acham que é um campo da saúde. Na verdade, nós definimos como campo da ética social aplicada. Então, trabalha com os grandes conflitos morais, como o aborto, direito de poder, acesso de metodologias reprodutivas, por exemplo.&lt;br /&gt;O que a ANIS faz são ações tanto de capacitação como de pesquisa, quanto de ações políticas. Nós somos uma Ong e trabalhamos em parceria com a sociedade. Quase todas nós, somos pesquisadoras ou professoras ou alunas da Unb ou em outras universidades do Distrito Federal.&lt;br /&gt; Nós assumimos como pauta esses temas que são de interfaces fortes e sempre voltados para a saúde ou para os direitos humanos.&lt;br /&gt; Eu fui uma das fundadoras da ANIS e hoje sou pesquisadora aqui dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;O trabalho de vocês é mais voltado para a questão da mulher?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Não apenas mulheres. Gênero no sentido amplo. Então, nós temos estudos por exemplo sobre sexualidade e homofobia. Na verdade diria que é mais uma categoria sobre desigualdade, porque nós tínhamos, inicialmente, um viés muito forte do feminismo com mulheres. Mas hoje, nós temos questões como deficiência, ensino religioso, e estado laico também. Essas são algumas das pesquisas que a ANIS faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Falando sobre o seu projeto, o CEFEMA (Centro Feminista de estudos de Assessoria) trás em seu site uma síntese do que diz ser o ‘Mapa inédito do Aborto no Brasil’.  “Aborto e Saúde pública. 20 anos de pesquisa no Brasil” é um projeto em parceria com a Universidade de Brasília e Universidade Estadual do Rio de Janeiro, financiado pelo Ministério da Saúde.&lt;br /&gt;Nós gostaríamos de saber como é o projeto. Como tudo começou?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; O projeto veio de uma idéia a partir das declarações do Ministro Temporão, quando ele dizia que o aborto é uma questão de saúde pública. Na verdade, qualquer afirmação, tanto no campo da saúde ou das políticas públicas, você precisa de evidências. Evidências para dizer por que você precisa combater a desigualdade, com uma bolsa escola ou uma bolsa família. Então, assumir que o aborto é uma questão de saúde pública implica em medidas efetivas de políticas de saúde. Mas a partir de que evidências? &lt;br /&gt;O debate no Brasil é bastante fragmentado, porque é repleto de certezas religiosas, morais, de que na verdade o aborto é um atentado contra a vida ou que o aborto é um direito das mulheres, que o nosso corpo nos pertence. Não que não sejam teses importantes, no entanto, o caminho para uma política de saúde caminha pelas evidências.&lt;br /&gt;Nossa proposta foi, partindo de uma metodologia que se chama metasíntese, muito próxima do que a saúde pública chama metanálise, propor ao Ministério da Saúde, de uma maneira neutra, imparcial, recuperar 20 anos de tudo o que o Brasil publicou sobre o aborto. Nosso marco é a constituição de 1988, em todos os campos disciplinares. Tudo o que produziram sobre o aborto e que era passível de recuperação (periódicos, teses, dissertações, artigos). Nós não recuperamos artigos de jornal, mas na verdade, artigos científicos, acadêmicos. Recuperamos 2.165 referências. Disso, nós analisamos todas aquelas que tinham estudos empíricos. O que são estudos empíricos? Se houve entrevista com alguma mulher; se analisou algum prontuário; alguma lei; se fez qualquer estudo de dados da realidade. Os dados corresponderam a 30% dessa amostra. Desse universo, nós analisamos e mostramos a tendência desses resultados.&lt;br /&gt;Portanto, o nosso objetivo com este mapa de estudos brasileiros sobre aborto era olhar para trás, consolidar o que foi feito, para fundamentar o que é possível fazer a partir de agora.&lt;br /&gt;A política de saúde no Brasil, que tem o marco dos direitos humanos, e que vai levar adiante o debate sobre a descriminalização, ou a legalização ou o reconhecimento do direito do aborto, tem que partir das evidências disponíveis pelos melhores cientistas brasileiros. E o que nós encontramos foi que, na verdade, em relação a essas perguntas, quem são essas mulheres, onde elas estão, como elas fazem o aborto, que idade elas têm. Ao dar um perfil a essas mulheres, o objetivo era deslocar o debate do aborto, de uma certeza religiosa, de uma certeza moral, para um debate democrático e de políticas públicas.&lt;br /&gt;A nossa intenção é qualificar o debate público, devolvendo o ônus para quem acredita que não temos evidência. Temos. E elas dizem isso. Quem quiser entrar no debate agora, tem que conhecer o nosso trabalho, primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;O fato do aborto ser ilegal no Brasil trouxe muitas dificuldades para a pesquisa de vocês?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Trouxe muita dificuldade aos pesquisadores. Para nossa não, porque todas as divulgações o Estado criou em periódicos e publicações. Mas essa é uma pergunta importante, porque o fato dele ser ilegal dá um marcador sobre os estudos do aborto no Brasil. Quem é que fez pesquisa? O médico e a enfermeira, que estava na beira dos leitos, que atendia essas mulheres e coletava os dados. Nós não temos estudos sobre clínicas ilegais de aborto no Brasil. Nós não sabemos como essas mulheres fazem. Nós não sabemos o que acontece no universo rural. Nós não sabemos como se aborta na região norte. Ou seja, se distribuiu as pesquisas sobre aborto com uma distribuição do conhecimento no Brasil praticamente em São Paulo e alguns estados do Sul e Nordeste. É o que nós sabemos sobre aborto. E vinculados em profissões de assistência às mulheres em situações de aborto. Coletava-se o dado da mulher que chegava no pronto-socorro, em situação de abortamento. Perguntava quem ela era, qual sua idade e religião. Nós temos poucos estudos fora do SUS.&lt;br /&gt;O problema não esteve na nossa pesquisa. O que nós pesquisamos foi publicado. Mas coloca novos pesquisadores na trincheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;A senhora é a favor da legalização do aborto?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; A melhor resposta para esta pergunta seria que o Estado, verdadeiramente democrático, laico, tem que favorecer as liberdades individuais, em qualquer matéria. Independente de ser a questão do aborto, do direito a morrer ou decidir pela sua própria morte. O que o Estado deve garantir, objetivamente, são condições efetivas para a tomada de decisão. As mulheres estão formadas, esclarecidas. Ela tem acesso aos métodos contraceptivos, medidas de prevenção e cuidado. E se ela considerar que essa é a melhor decisão para a vida dela, em qualquer momento de sua vida reprodutiva, essa tem que ser a decisão. Então eu diria que essa não é uma pergunta que é a favor ou não do aborto ou da venda de acesso às tecnologias reprodutivas. A autônima da vontade e a dignidade da pessoa humana são dois valores que andam juntos. A noção de dignidade de cada um de nós pode ser um exercício. Nós não somos a favor das escolhas individuais, o conteúdo da sua escolha, mas o seu direito inalienável de escolher. Eu quero viver numa sociedade em que as mulheres não abortem ou abortem quando e como quiserem. Então, eu diria que a resposta é sobre um princípio ético na qual nós temos que guiar a democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;A campanha da Fraternidade deste ano, com o lema “Escolhe, pois a vida – A fraternidade em defesa da vida”, trás um texto do Secretário Geral da Conferência Nacional de Bispos no Brasil (CNBB), Dom Odílio Pedro, o seguinte trecho:&lt;br /&gt;“É impressionante o número de abortos clandestinos realizados todos os anos no Brasil. São seres humanos inocentes e indefesos, aos quais é negada a participação no banquete da vida”.&lt;br /&gt;Porque no Brasil o aborto ainda não foi legalizado?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Exatamente pelo mote que você trás e que representa a Campanha da Fraternidade. O Brasil é uma democracia laica. Uma democracia que recomeça os questionamentos sobre a diversidade de grupos e a liberdade de pensamento e opinião. No entanto, a força, especialmente da igreja católica, dentro do Estado determina que algumas agendas tenham os seus marcos, e o aborto é uma delas. Objetivamente, o aborto ainda não se transformou num conhecimento de um direito humano de uma mulher no Brasil, dada a influência da moral católica religiosa no nosso governo legislativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Dentre tantos dados interessantes da sua pesquisa, 3,7 milhões de mulheres já recorreram ao aborto e mais de 70% delas fizeram em último caso, alegando métodos contraceptivos que falharam. Nós gostaríamos que a senhora comentasse a respeito da questão da informação sobre esses métodos. Qual é e que tipo de informação chega para os brasileiros? Existe, realmente, uma política de prevenção contra a gravidez, por exemplo? Esses métodos chegam mesmo até eles?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Houve uma mudança significativa durante esses 20 anos, que é o período do estudo, no planejamento familiar no Brasil. Isso é uma política oficial, atenta e amplamente divulgada pelo governo. No entanto, nós não sabemos a qualidade de uso que essas mulheres fazem dos métodos. Nós podemos ter duas hipóteses desses dados: Que elas referem o uso do método contraceptivo como uma forma de reafirmar sua decisão já anterior de não ter um filho ou de fato que ela faça uso ou mau uso. Nós não temos como dizer o que acontece aí.&lt;br /&gt;Agora, eu diria que as campanhas precisam melhorar, nós sabemos. Mas houve sim, uma mudança significativa nestes últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Estes questionamentos sobre os tipos de informação em relação às prevenções são muito importantes. Vemos pelas nossas discussões dentro da Universidade, onde há coisas que ainda não são bem esclarecidas. Veja um exemplo: Certa vez, em uma das nossas conversas nas reuniões do Coletivo Feminista de Campinas, comentávamos a respeito do antibiótico como agente de redução do efeito do anticoncepcional e algumas das integrantes do grupo não sabiam disso.&lt;br /&gt;Isso é um tipo de informação que deveria chegar até nós, mas que não chega. E o mais agravante é que estamos dentro da universidade, que deveria ser um lugar de maior acesso à informação e que os estudantes fossem mais informados.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Mas nós também temos que pensar nos outros métodos de barreira. A mulher tem que negociar com o seu companheiro; A crença ainda no método natural da tabelinha. Então, é claro que você tem várias negociações deste saber, para além do que foi informado. O melhor método é a camisinha como método de barreira, mas como essa mulher negocia isso com o seu companheiro? Como ela tem acesso a este método?&lt;br /&gt;Essas são questões de difíceis avaliações, de onde o fio da meada se pega. Mas mesmo com pleno acesso aos métodos, o aborto ainda é uma questão de direito reprodutivo. Mesmo a mulher com pleno acesso o método pode falhar, pode errar ou pode se confundir com o seu uso. E ela vai se ver diante de uma decisão como esta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt;  &lt;em&gt;Como Antropóloga, o que dizer em relação ao aborto pelo viés das diferenças culturais dentro do Brasil? Em relação aos diferentes modos de vida de uma comunidade indígena, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Nós não temos nenhum estudo sobre isso. Nada. Nós não temos nenhum estudo sobre parteiras tradicionais, sobre concepções rurais, sobre sociedades indígenas. Não temos nenhuma pesquisa sobre aborto no Brasil na região norte. Nenhuma pesquisa em zona rural do Nordeste. Os estudos sobre aborto foram feitos nas grandes capitais brasileiras, em centros de saúde pública. É isso o que nós sabemos. E isso diz algo de muito importante. Não é que as mulheres rurais não fazem aborto. Nós não sabemos quem são elas, como fazem, onde fazem e o que acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Em 2003, os Ministérios da Saúde e Educação fizeram um projeto chamado ‘Saúde e Prevenção’ nas escolas. Qual a sua opinião sobre o projeto? Você tem algum contato com ele? O Estado, como estes tipos de projetos, tem políticas suficientes para que as informações realmente cheguem até os cidadãos?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Eu não conheço muito bem este projeto, mas eu posso dizer sobre um outro projeto, nosso, que analisa a homofobia nas escolas e que cruza com os livros didáticos. Os Parâmetros Curriculares e os sistemas transversais tratando de questões como a orientação sexual são inovadores. Mas eles têm que negociar com matrizes religiosas o tempo inteiro, muito embora seja uma ação política do Estado no campo da educação, portanto um Estado laico, um Estado que não reconhece a anterioridade do fato religioso. Todo o documento tem que negociar com uma idéia de que a verdade sobre a sexualidade está na família, na religião. Então, o que nós temos que lançar é a pergunta: Porque a sexualidade é uma verdade que não está no Estado? Claro, pode estar em cada um de nós. Mas porque está na religião? E não no Estado e na execução de suas políticas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Pensando nesta sua última colocação, como efetivar uma pesquisa como a sua, que tenta tratar do aborto de forma imparcial, mesmo sabendo que é questão que não é vista desta forma?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Está tudo impregnado. Você abre um resumo e vê: ‘Abortamento’. Você já sabe de que lado o sujeito está. ‘Interrupção da Gravidez’ Você já sabe de que lado ele está. A escolha dos termos importa. O uso dos adjetivos importa. Não há um debate científico neutro. Não que exista neutralidade, mas há ainda, em grande parte dos pesquisadores sérios, uma aposta nesta neutralidade, neste senso da comunicação científica onde o aborto se explicita. Quanto mais imparcial for, é melhor. E isso é um fator complicador para o debate, pois você precisa acessar evidências confiáveis. A Pesquisa Científica passa pelo treino de suas pré-concepções no campo do aborto. E isso é uma grande dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Em relação aos meios de comunicação, como a Televisão, por exemplo, nós assistimos uma entrevista sua sobre a questão do aborto, pela Rede Record, que nos deixou curiosas para entender o porquê de um canal de televisão, altamente religioso como este, ter interesse numa pesquisa como esta.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Mas eles têm uma premissa da liberdade e da vontade. Eu perguntei exatamente isso quando a entrevista terminou. Mas como? Eles têm uma máxima: A autonomia da vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Voltando para a questão dos meios de comunicação em geral, o que eles dizem sobre o aborto? Como eles tratam desta questão? Já existe um espaço para este tipo de discussão?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; O impacto destes meios nas últimas décadas foi tremendo. Eles são os invasores das capitais brasileiras, em quase todas as televisões. Porém, é muito difícil dizer qual é a agenda da mídia sobre isso. No campo das células tronco eu poderia dizer que foi uma agenda favorável a um debate sobre a liberação de princípios. Já do aborto, é muito tênue. A igreja tem muita força. As células tronco não, a questão vinha com um espaço solitário, em meio ao fundamentalismo. O aborto é um debate muito dividido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt;  &lt;em&gt;Uma das últimas notícias sobre a questão do aborto na mídia foi que a justiça do Mato Grosso do Sul processou quase 1.000 mulheres, por terem praticado o aborto em clínicas clandestinas. Algumas dessas mulheres já foram condenadas, prestando serviços comunitários em creches de cidade.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Isso é tortura! Na verdade, há vários equívocos neste caso. O primeiro é que o prontuário é documento dessa mulher. O Estado não tem direito à invasão da intimidade. E o promotor não solicitar a pesquisa deste prontuário, para investigação (só ele podia ter acesso), é uma quebra de privacidade fundamental. Segundo uma presunção de que todas essas mulheres eram infratoras da ordem penal. Não foram 9.922 mulheres que realizaram aborto. Buscou-se toda a história da clínica para dar investigação a presunção de que todas cometeram alguma infração.&lt;br /&gt;Outra questão: A assistência ginecológica é um momento do encontro das mulheres com suas médicas e de troca de muitas confidências. Essa assistência é o momento de encontro sobre sexualidade, sobre medos, sobre planos, desejos etc. Imagine o estrago na ordem do sistema sanitário, por exemplo. Você coloca em ameaça. Se as mulheres, os homens, as pessoas forem ao sistema de saúde com medo do que se diz, se o que anota no prontuário vem a se tornar público um dia, sobre uma presunção indevida de crime, as pessoas vão mentir. Imagine o que significa, uma pessoa que faz uso de algumas práticas de risco, omitindo isso para o seu cuidador que precisa desta informação para melhor cuidar dela. Ela está com medo de que aquilo possa ser usado contra a sua pessoa.&lt;br /&gt;Essa é uma atitude irresponsável do Estado, com graves conseqüências para o sistema de saúde.&lt;br /&gt;Uma coisa é desbaratar uma clínica privada e prender os seus dirigentes. Porque é crime. Está no código penal. Porém, uma coisa é investigar todos os prontuários outra coisa é você prender quem, naquele momento, esteja cometendo um crime. Isso já tinha acontecido. É uma grande infração dos direitos fundamentais, como os direitos da privacidade, da intimidade. Imagine uma mocinha falando dos seus desejos ou uma senhora falando de seus não-desejos e aquilo se tornar público!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt;  &lt;em&gt;A senhora tem algum medo ou receio por este trabalho?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Você tem que ter dois medos na vida: Quando você não é ninguém, mas quanto mais forte você fica, mas difícil é o embate. Nós já passamos um tempo aqui na ANIS em que tínhamos muito receio. Nós recebíamos ameaças, cartas anônimas, pessoas na porta ameaçando. Mas isso já acabou. Porque agora nós não somos mais alguém começando a fazer barulho. Então, eu diria que essa fase já passou. Mas nós sempre respondemos dentro da lei. Nos ameaçavam, nós entrávamos com uma ação de ameaça. Nos faziam uma escuta telefônica, nós entrávamos com uma ação com a Polícia Federal. Nós temos quase uma dezena de ações, mas acabou. Porque agora estão mexendo com quem têm condições de responder. Quando nós começamos há dez anos atrás, não, era muito difícil, todo mundo era mais jovem. Nós começamos a responder seriamente como deveria ser, com justiça. Então ganhamos todas as ações e acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt;  &lt;em&gt;Por curiosidade, qual a sua opinião em relação ao papel do homem sobre o aborto? Será que o homem terá interesse na sua pesquisa? Ele é atuante nesta discussão?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Nós não temos nenhum estudo. Há algumas indicações que mostram que no caso do Cytotec são eles que compram. Os que traficam Cytotec no Brasil também são homens. Nós vamos iniciar uma pesquisa, financiada pelo CNPQ, sobre o tráfico de Cytotec no Brasil e nós vamos chegar nos traficantes presos. Nós queremos ver que mundo é esse que as mulheres procuram, por meio deles. Nós não temos nenhuma mulher presa por tráfico de Cytotec. Até hoje, nós não localizamos. São homens e nós queremos chegar neste universo da compra, da aquisição, quem faz. Queremos chegar em todo o processo decisório, por meio dos traficantes. São sujeitos indiciados, então nós não temos como melhorar a vida deles, mas a nossa escolha foi por aí. Eu não consigo chegar em uma boca de venda, com a segurança que eu precisaria. Hoje em dia, eu sou uma evidência ambulante para quem quiser colocar uma mulher na cadeia, dado que eu sempre estou chegando no cenário do aborto. Então eu só posso fazer pesquisa hoje que esteja protegida pela legalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt;  &lt;em&gt;Na verdade, em relação ao papel do homem em geral, do cidadão, é que gostaríamos de saber qual a sua opinião. O que você pensa sobre isto? O homem participa destas discussões?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Estes estudos, para mostrar o perfil da mulher, são dados muito genéricos. Nós não temos estudos sobre isso. Nós não sabemos se essas mulheres sofrem ou não. Eu não sei quem ela é, no seu sentido biográfico. Eu não sei nada dos homens. A única indicação é isso, sobre a compra do Cytotec. Se ele impõe, se ele apóia, eu não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CF:&lt;/strong&gt;  &lt;em&gt;É interessante pensar sobre a própria palavra ‘genérico’ dentro da questão do aborto. Não há como deixar de lado a diferença de classe, por exemplo. Não há como falar em aborto sem tratar desta questão. Quais mulheres que têm condições de pagar um aborto? E as que não têm, como fazem?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;D:&lt;/strong&gt; Até porque em clínica privada eu ainda não cheguei. No Mato Grosso era R$ 5.000 reais o aborto mais seguro e em 3 horas a mulher já estava em casa. Quem tem este dinheiro? Eu não sei como as ricas fazem aborto, eu sei como as pobres, que começam com o Cytotec e terminam no SUS.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-3838484706249601750?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/06/questo-do-aborto-no-brasil-entrevista.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-4312394039458446561</guid><pubDate>Sun, 11 May 2008 00:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-05-10T17:27:53.377-07:00</atom:updated><title>DIA DAS MÃES E O AMOR MATERNO COMPULSÓRIO</title><description>&lt;div align="left"&gt;    Todo início de maio somos bombardeadas/os por propagandas relacionadas ao DIA DAS MÃES. Essas propagandas suscitam uma série de questões para discussão, mas nos restringimos a uma que consideramos fundamental debater: a questão do amor materno.&lt;br /&gt;    O modelo de família perfeita veiculada pela mídia é pai, mãe, filhos coabitando harmoniosamente. Famílias monoparentais, homossexuais, casais sem filhos “desaparecem”. Nesse contexto todas as mulheres tornam-se mães (de fato ou em potencial) ao ponto de algumas propagandas falarem em “mês das mulheres”. O que as une, independente de terem filhos ou não, é um sentimento, quase um instinto: o amor materno. Amor incondicional, pretensamente inato, trans-histórico e universal.&lt;br /&gt;    Apesar de desacreditado em muitos meios, a idéia de “instinto materno” continua fortemente arraigada no senso comum. A existência do amor materno é tida como um fato da natureza, incontestável e indiscutível. As mulheres, tal como pretensamente acontece no reino animal, não só concebem o filho, mas também instintivamente, zelam por sua sobrevivência.&lt;br /&gt;    Subjaz a essa idéia de instinto materno uma concepção de “essência feminina”. Dentro dessa concepção, a natureza precede o social e o organiza. Assim, não são relações sociais que engendram relações hierárquicas e papÉis distintos entre homens e mulheres, mas a natureza. Ao negar o caráter social dessas relações, perde-se a dimensão de transformação, pois se são relações dadas pela natureza, elas tornam-se imutáveis. Nesse sentido, estaria inscrito na natureza feminina um conjunto de características tais como a doçura, a submissão, a maternidade etc e por caberiam às mulheres determinados papéis. No caso da maternidade, para além da gestação e amamentação, cabe-lhe o cuidado dos filhos. Aos homens, o espaço público, às mulheres, o lar e a maternidade. E por mais que essa concepção tenha se alterado - e o movimento feminista teve um papel importante nessa transformação – e que o trabalho feminino fora de casa seja algo quase que plenamente aceito, ainda são as mulheres as responsáveis pela realização das tarefas domésticas e pelo cuidado dos filhos. Os pais podem até, em alguns casos, AJUDAR as mães a exercerem a sua função, mas esta continua sendo sua obrigação.&lt;br /&gt;    Contudo, o fato de ser progenitora não implica necessariamente nenhum sentimento de amor. É claro que a convivência e a cumplicidade cotidianas podem gerar um sentimento forte entre mães e filhos, mas esse sentimento poderia ser despertado em qualquer um, independente do gênero, que participasse de maneira ativa e emotiva da educação de uma criança. De qualquer modo, é preciso frisar que o amor materno não é um dado universal e trans-histórico de uma suposta “natureza feminina”.&lt;br /&gt;    Elisabeth Badinter mostra em Um amor conquistado: o mito do amor materno que no século XVIII, por exemplo, a maioria das crianças francesas, mesmo as de camadas populares, era “retirada” do convívio familiar e amamentada e criada por uma “ama mercenária”. O sentimento de indiferença com essa criança que nascia era uma constante e plenamente aceito por aquela sociedade.&lt;br /&gt;    Mas não é necessário ir tão longe. Basta uma observação nada sistemática para perceber que hoje o amor materno também está longe de ser universal. Não é nada incomum mães rejeitarem os seus filhos logo após o nascimento ou desenvolverem esse sentimento ao longo dos anos. Quantos casos conhecemos de sentimentos de indiferença e rejeição de mães pelos seus filhos? Quantas pessoas já não ouviram de seus pais que preferiam que elas não tivessem nascido ou que sua vida seria melhor sem eles? Mas as pessoas não se surpreendem e se indignam diante da omissão ou desprezo do pai pelo filho. Mas a recusa de um filho por uma mãe é considerada uma aberração da natureza.&lt;br /&gt;    Muitas são as famílias que não se encaixam no modelo pai-mãe-filhos sob o mesmo teto vivendo harmoniosamente como nas propagandas de margarina. O modelo de mãe dona de casa e com dedicação exclusiva aos filhos e ao marido é cada dia mais incomum e cresce cada dia mais o número de mulheres que optam por não ter filhos. E apesar do desmonte do tradicional modelo familiar, continua-se tentando conservá-lo a qualquer custo.&lt;br /&gt;    Não se trata aqui de uma condenação ao amor materno, mas de uma condenação à sua obrigatoriedade, ao seu caráter compulsório, ao seu pretenso caráter natural. O problema é quando se considera que esse sentimento deva existir obrigatoriamente . Quantas mulheres não abriram mão de seus planos para gerar filhos que elas não desejavam ter e encarnarem o papel de mães dedicadas? Não se pode cobrar de uma mulher que ela ame incondicionalmente seu filho a não ser que consideremos que esse sentimento é anterior à vinda da criança e independe da presença da mesma.&lt;br /&gt;    A idéia de “instinto materno” serve muito bem aos interesses de nossa sociedade machista interessada em perpetuar hierarquias e papéis de gênero. É muito fácil estabelecer que por natureza mulheres devem ser destinadas a desempenhar determinadas funções. É preciso lutar contra a tendência das ciências biológicas de tentar explicar construções sociais através de fatores genéticos, pois estas servem, muitas vezes, como base para justificação não só das desigualdades de gênero como também étnica. É preciso combater a idéia de essência feminina e todas as suas manifestações. Combater a educação sexista que inculca papéis de gênero nas crianças desde a mais tenra idade; combater a idéia de maternidade obrigatória; contra essa sociedade que diferencia e hierarquiza as pessoas a partir da genitália.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;    Lutamos pelo direito da mulher decidir se quer ter filhos, quantos e quando tê-los. E por isso é tão importante a vulgarização dos métodos anticoncepcionais e a legalização do aborto.&lt;br /&gt;Esperamos um dia comemorar esse dia com todas as mulheres que tiveram a opção de ter ou não filhos.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Coletivo Feminista&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-4312394039458446561?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/05/dia-das-mes-e-o-amor-materno-compulsrio.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-5601420259449091280</guid><pubDate>Wed, 19 Mar 2008 14:07:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-06T18:29:56.576-07:00</atom:updated><title>Feminismo - dilemas velhos e novos: uma contribuição de Joan Scott</title><description>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Érica Melo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Em que corpo cabe o feminismo? Vamos ter que levantar as saias e abrir as calças para demonstrarmos que somos feministas? Todas que autodefinem mulheres têm o direito de estar nos encontros feministas! O que é ser mulher?”&lt;/em&gt;&lt;a name="sdfootnote1anc"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote1symsdfootnote1sym"&gt;&lt;em&gt;1&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas questões foram levantadas por duas feministas brasileiras durante o 10º. Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, em outubro de 2005, por ocasião do debate sobre a inclusão ou não de transexuais em encontros feministas, revelando o peso que questão identitária ainda tem para o feminismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a transexualidade é, por um lado, uma nova questão para o feminismo, por outro, é um rearranjo de velhos dilemas em torno do qual o feminismo sempre se deteve: o que é “diferença sexual”? Como e em nome de quem o feminismo se articula? Há estratégias políticas que possibilitem melhores resultados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O interessante desse episódio é que o feminismo já tinha sido colocado em xeque anteriormente com relação às categorias de representação e de identidade estável, na medida em que não pôde mais ignorar as especificidades que atravessam a categoria "mulher": raça/etnia, geração, orientação sexual, classe. Dessa forma, não podemos mais falar em "mulher" e sim "mulheres". Entretanto, com essa  polêmica dos transexuais percebemos que mesmo com a ampliação do termo, o feminismo (ou pelo menos uma parte dele) considera a marca sexual ainda como definidora de gêneros. Mais do que isso, a marca é definidora e inata, uma vez que transexuais mudam de sexo e, portanto, se enquadrariam na categoria “mulheres”. Parece que o que polemiza a questão é a idéia de que a transexual tenha sido um dia “homem”, retomando outra cara questão ao feminismo: a essencialização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ocorrido no Encontro Feminista ressalta a pertinência analítica do estudo sobre o passado e, ao mesmo tempo, absolutamente atual de Joan Scott sobre o feminismo francês, do século XVIII ao início do XX,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; A Cidadã Paradoxal – as feministas francesas e os direitos do homem.  &lt;/span&gt;Nesse estudo, Scott parte de biografias de quatro sufragistas francesas (Olympe de Gouges, Jeanne Deroin, Hubertine Auclert e Madeleine Pelletier) para discutir a história do feminismo, bem como os dilemas do feminismo contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;De antemão, Scott rejeita a forma como a história do feminismo tem sido escrita: teleológica e progressiva. Para ela, esse tipo de versão impede ver o reverso da experiência feminista e entender suas contradições internas como, por exemplo, a repetição de suas lutas que condena a geração seguinte a se confrontar com os mesmos dilemas da geração anterior. O problema, para ela, é tentar entender por que tem sido tão difícil estender às mulheres as promessas da Revolução Francesa e a resposta não pode ser resumida à “crônica da luta heróica das feministas” e nem à uma explicação que dependa de fatores precedentes e externos à política. Deve-se analisar os conflitos recorrentes do feminismo como sintomas das contradições nos discursos políticos que produziram o próprio feminismo; em outras palvras, é preciso analisá-los como parte das idéias do individualismo, dos direitos e das obrigações sociais do indivíduo, idéias estas somente possíveis a partir das Luzes.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Para Scott, a repetição na história feminista ultrapassa o conflito entre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;princípios universais&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;práticas de exclusão&lt;/span&gt; e atinge o problema da “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;diferença sexual”&lt;/span&gt;. Este, mais que um fato natural, é uma justificativa ontológica para um tratamento diferenciado no campo político e social. E é a partir da questão da “diferença sexual” que se constituiu o paradoxo que permeou toda a história do movimento feminista: “a fim de protestar contra as várias formas de segregação que lhes eram impostas, as mulheres tinham de agir em seu próprio nome, invocando, dessa forma, a mesma diferença [sexual] que procuravam negar.” (p.18). Dessa forma, a história do feminismo é paradoxal não porque possui estratégias de oposição, os paradoxos são elementos constitutivos do próprio feminismo, pois é formado por práticas discursivas de política democrática que iguala &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;individualidade e masculinidade&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O significado de indivíduo é ambíguo. Pode significar tanto o protótipo abstrato do ser humano (muito usado em teoria política, por filósofos do Iluminismo e por políticos revolucionários da época), como pode significar um ser único, pessoa diferente das outras de sua espécie (conceito de filósofos como Rousseau e Diderot). Entretanto, a busca de uma base comum para a política rejeitou essa segunda noção de diferença. O indivíduo abstrato é a essência comum da humanindade e, assim, abstrai categorias diferenciadoras. Porém, a noção de individualidade só pode ser estabelecida por uma relação de contraste: por se referir a um tipo singular, invariável, tal abstração possibilitou a exclusão das/dos que não possuíam as características exigidas para um indivíduo. Nos séculos XVIII e XIX, por exemplo, temos o desenvolvimento da psicologia da cognição que levanta o problema da diferença: órgãos do corpo são tomados como fonte de impressões e de experiências do indivíduo (cor da pele, órgãos de reprodução) que sinalizavam a habilidade humana. Em outras palavras, sinalizavam quem poderia ou não ser incluído na noção de indivíduo e, nesse caso, mulheres e negros estavam fora.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Temos, assim, uma contradição: o sistema de inclusão universal exclui o que não se enquadra como um indivíduo, o que não se encaixa em seu protótipo. O protótipo do indivíduo generaliza, ao mesmo tempo que invoca, uma noção única de indivíduo e a unicidade exige uma relação de diferença que a idéia de indivíduo pretendia negar. (p.32). O conceito de indivíduo abstrato não levou em conta questões sobre o processo que estabelecia os limites da individualidade e não permitiu, portanto, a variedade de indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher não correspondia ao protótipo humano; era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o outro&lt;/span&gt; que confirmava a individualidade;&lt;br /&gt;a masculinidade era pré-requisito para a idéia de indivíduo e atribuir gênero à cidadania foi algo recorrente no discurso político francês. Para Rousseau, era a consciência da diferença sexual e, consequentemente, o desejo de possuir o objeto amado que distingue o homem civilizado do selvagem. Desejo este que relacionava tanto o amor que liga um homem a uma mulher, quanto a discórdia política entre os homens. Cem anos mais tarde, Durkheim faz uma analogia entre sua idéia de “solidariedade orgânica” e a heterossexualidade. Já para Lombroso, todas as mulheres estão em uma só categoria, mas cada homem é um indivíduo em si, um caso único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Invocar a “diferença sexual” como explicação dos limites dos direitos individuais foi o que historicamente possibilitou o surgimento das feministas, para apontar as incoerências dos supostos direitos universais (do homem): a noção republicana de indivíduo – sua definição universal e corporificação masculina – era, por elas, posta a nu. E, na medida em que as feministas questionavam essas contradições, elas também assumiam um discurso paradoxal ao discutir, ao mesmo tempo, a relevância e a irrelevância de seu sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noção de coerência é fundamental para sistemas políticos e ideológicos, como os do republicanismo francês em questão. Ela é indispensável para que haja organização social e os sistemas se posicionam como competentes para praticar e exigir coerência. Na impossibilidade de sua real existência, tais sistemas políticos negam a contradição interna, a parcialidade ou a incoerência. É assim que a criação da “diferença sexual” foi uma forma de garantir a exclusão das mulheres. Se não fosse por ela, seria incoerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As feministas aceitaram essa necessidade de coerência e reclamaram que o sistema não cumpria suas próprias exigências. Entretanto, elas também se deram conta que, ao adotar esse mesmo sistema político-ideológico, elas também teriam suas próprias incoerências. Foi então que começaram a questioná-lo e admitir a necessidade de repensá-lo. “Essa foi (e é) a força e o perigo do feminismo, a razão por que se provocava não apenas medo como também desprezo.” (p.39). As feministas desenvolveram a habilidade de identificar e explorar as ambigüidades nos conceitos fundamentais da filosofia, da política e do senso comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que a noção de um padrão repetido de paradoxos pareça ser intemporal, os conceitos utilizados pelas feministas são frutos de um época. As reivindicações por direitos formuladas por elas tiveram como base epistemologias diferentes e não devem ser lidos como uma consciência transcendente e contínua da Mulher, nem como uma experiência comum de todas as mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As feministas negavam a idéia de “diferença sexual” como resposta à exclusão da participação política das mulheres. Entretanto, ao agir em nome das mulheres, invocavam a mesma diferença que pretendiam negar (sendo a idéia de “diferença sexual” parte desses mesmos discursos), paradoxal, portanto. Um paradoxo desafia a tradição, acentua suas contradições, sem, contudo, abalar as crenças ortodoxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa contradição é atualmente perceptível nos debates sobre “igualdade” ou “diferença” no feminismo: as mulheres são iguais aos homens e por isso deve reivindicar os mesmos direitos ou são diferentes e, por causa ou apesar das diferenças, exigem os mesmo direitos? Essa dicotomia, segundo Scott, invisibiliza que ambas as posições atribuem identidades fixas e análogas a homens e mulheres e endossam, de forma implícita, que possa haver, de fato, uma definição de diferença sexual. A conseqüência desse raciocínio é que, mais uma vez, é aceito a diferença sexual como um fenômeno da natureza (reconhecível, mas mutável) quando, no entanto, é mais um fenômeno indeterminado, tal como etnia, cujo significado está sempre em discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que o período estudado por Scott pareça distante, 1789 a 1944, é inegável a contemporaneidade da luta política dessas primeiras feministas. A luta pela paridade na representação política das mulheres, em que feministas têm opiniões das mais distintas sobre a questão, é um exemplo. A polêmica sobre a entrada ou não de transexuais no feminismo é outro exemplo, por mais uma vez invocar a natureza, a “diferença sexual” para fundamentar o debate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A política feminista é marcada por essa indefinição do que vem a ser “diferença sexual”.&lt;br /&gt;Entretanto, para Scott, essa ambigüidade não se caracteriza como um problema para o feminismo. Ao contrário, é o que dá intensidade ao feminismo: “se por um lado, pareciam aceitar definições de gênero como verdadeiras; por outro, elas as recusavam. Aceitação e recusa simultâneas punham a nu as contradições e omissões nas definições de gênero que eram aceitas em nome da natureza e impostas por lei. As reivindicações feministas revelaram os limites do princípio de liberdade, igualdade e fraternidade e levantaram dúvidas em relação a sua aplicabilidade universal.”&lt;a name="sdfootnote2anc"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote2symsdfootnote2sym"&gt;2&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É através da teoria pós-estruturalista que Scott encontra uma forma mais apropriada para sua crítica à história do feminismo e ao feminismo em si, por permitir analisar as construções de significado e as relações de poder, uma vez que essa teoria questiona categorias unitárias e universais que naturalizam conceitos históricos, como “homem” e “mulher”. “O pós-estruturalismo e o feminismo contemporâneo são movimentos de fins do século XX que compartilham uma certa relação crítica auto-consciente diante das tradições política e filosófica estabelecidas.”&lt;a name="sdfootnote3anc"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote3symsdfootnote3sym"&gt;3&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito de diferença, seguindo a linha da lingüística estruturalista de Saussure, baseado na noção de que o significado é construído através do contraste (que pode ser implícito ou explícito), trabalha com a idéia de que uma definição positiva se apóia em sua negação ou repressão de algo que se representa como antitético a ela, é o que baliza toda a discussão do feminismo como paradoxal de Scott. Para ela, tais oposições fixas ocultam que os termos apresentados como opostos são, na verdade, interdependentes e hierárquicas: o significado de um termo depende de um contraste estabelecido, não de algo inerente ou de uma simples antítese. É essa a idéia que permeará toda a análise de Scott sobre as sufragistas francesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da contemporaneidade das reivindicações dessas feministas históricas, uma outra possibilidade que a análise histórica oferece é a de rever como a história do feminismo tem sido percebida e construída afetando as práticas atuais. Scott rejeita a abordagem teleológica por ser esta uma versão que apenas permite saber que as feministas usaram uma ou outra estratégia (no caso, a estratégia da “diferença” ou da “igualdade”), mas não como foram construídas. Saber de sua existência permite uma crítica das práticas normativas, mas não a extensão dessa crítica A experiência não é evidente, e tratá-la como tal impede a análise de sua historicidade, pois a reproduz seus termos&lt;a name="sdfootnote4anc"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote4symsdfootnote4sym"&gt;4&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não há em sua narrativa biográfica uma relação de causa e efeito, entre experiência pessoal e atividade individual. O enfoque biográfico parece reafirmar a noção de que a ação é uma expressão autônoma, mas na verdade é o efeito de um processo historicamente definido. Ainda que seja, com freqüência, apresentado como condição da natureza humana, é um conceito específico, ligado historicamente a muitas das mesmas idéias que negavam à mulher a individualidade, a autonomia e os direitos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois principais argumentos são, portanto, desenvolvidos ao longo do livro. Primeiro, que a ação feminina se expressa paradoxalmente: conformada pelos discursos do individualismo universal que elege a “diferença sexual” como justificativa para a exclusão da mulher. Segundo, a história da militância feminista não é um conjunto fixo de comportamentos da mulher, mas uma conseqüência de ambigüidades e contradições dentro de epistemologias específicas. E é através dos paradoxos historicamente específicos que Scott se propõe a (re) escrever a história do feminismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em última instância, tratar a história do feminismo como paradoxo também contesta as histórias da democracia que atribuem à exclusão da mulher ao voto, por exemplo, a uma falta de aperfeiçoamento de então e que, na medida em que elas foram incluídas posteriormente, era um indicador de ausência de desigualdade social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acompanharemos aqui a análise pormenorizada que Scott faz da vida de cada uma das feministas em questão. Nos limitaremos a pontuar suas investidas políticas dentro da “perspectiva paradoxal” proposta por Scott.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, escrita por Olympe de Gouges, em 1791, pode ser considerada a primeira manifestação feminista. Ao reivindicar que as mulheres fossem representadas como cidadãs, utilizando-se dos limites da pretensão universal da definição de indivíduo abstrato da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, expôs a primeira contradição da proposta revolucionária de igualdade, fraternidade e liberdade. A saída para os revolucionários de sua época foi a justificativa da “diferença sexual”, que por si só explicaria a relação mulher/espaço privado e homem/espaço público. A idéia de uma mulher atuando na política provocou nos revolucionários da época uma imagem de ambigüidade, de androginia. Fora de seu domínio “natural”, a mulher se torna um ser indefinido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olympe de Gouges rompeu com vários papéis atribuídos às mulheres em sua vida: foi uma escritora que produziu intensamente, recusou o nome paterno e do marido, escreveu peças teatrais feminista e abolicionista. Acusada de viver excessos da imaginação, foi condenada à morte pela guilhotina em 1793.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jeane Deroin, militante socialista, se candidata ao parlamento com o intuito de desmascarar a lei, que excluía as mulheres de votar e serem votadas, ainda que sua existência fosse baseada na idéia de “igualdade” dos cidadãos. Assim como Gouges, recusou o sobrenome do marido. Sua luta pela inclusão política das mulheres foi marcada por suas idéias sobre a maternidade que para ela trata-se de um trabalho social e não um destino biológico. Para ela, a mãe é a idealização máxima da cidadania, pois os filhos são obra da mulher. Deroin foi presa em 1850. Em 1851 parte para o exílio na Inglaterra, onde permanece militando pelo feminismo e pelo socialismo até sua morte em 1894.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hubertine Auclert atuou intensamente no debate político do final do século XIX no qual o significado de cidadania estava definido em relação ao direito ao trabalho como condição ao direito à propriedade. Auclert insistia na necessidade das mulheres trabalharem e até mesmo no reconhecimento do trabalho doméstico como “sagrado”, já que seu valor econômico era essencial para a sociedade. Afirmava a existência de interesses particulares das mulheres justificando seu ingresso no mundo da política. Para ela, interesses masculino e femininos seriam opostos. Uma questão por ela defendida de extrema atualidade é sua reflexão sobre o significado da linguagem e a falta na língua francesa de nominações no feminino de determinadas profissões, se perguntando como as mulheres poderiam exercê-las se elas sequer existiam nos dicionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última feminista analisada por Scott é Madeleine Pelletier que atua no início do século XX.&lt;br /&gt;Marcada pela descoberta do inconsciente, a identidade feminina para ela era uma forma de opressão interiorizada. A diferença sexual seria um conjunto de fenômenos psicológicos, não físicos. Na tentativa de abolir qualquer diferenciação entre masculino e feminino, tentava desconstruir a idéia de diferença sexual e eliminar a subordinação imposta às mulheres se comportando de forma “masculinizada”, como por exemplo, vestir-se com trajes masculinos. Tal atitude novamente provocou no imaginário dos intelectuais da época a idéia de androginia, fato que agradava Pelletier por perceber que de fato desafiava as normas de exclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de ambigüidade ou indefinição sexual acompanhou, em maior ou menor grau, as investidas de todas as feministas aqui tratadas. Num outro estudo sobre a natureza imaginária do gênero, a antropóloga Mariza Correia&lt;a name="sdfootnote5anc"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote5symsdfootnote5sym"&gt;5&lt;/a&gt; também discute a questão. Para ela, “a trajetória de algumas personagens femininas põe em xeque a suposta impermeabilidade das categorias masculino/feminino no sistema de classificações de gênero. Quando seres socialmente definidos como parte da cena privada são encontrados na cena pública, a ambigüidade de sua posição os coloca numa categoria anômala, como integrantes de uma espécie de “natureza imaginária”. Assim, analisa o caso de mulheres que ao ocuparem o espaço público, ou seja, fora do seu “espaço natural”, têm seu estatuto definido de forma ambígua, não são nem homens, nem mulheres, uma androginia. Separando-se sexo de gênero, fica claro que as definições de feminino e masculino são explicitadas em disputas pelo poder, pelo prestígio ou por privilégios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Por fim, Scott retoma algumas questões apresentadas no início da obra a respeito do feminismo contemporâneo relacionando-o às questões políticas das militantes apresentadas ao longo dos três séculos em que analisa. O debate atual na França em torno das lutas pela paridade na representação política das mulheres demonstra a contemporaneidade das feministas históricas.&lt;br /&gt;Sua intenção em expor a disputa feminista em torno de posições de igualdade ou de diferença foi a de demonstrar que se trata de um sintoma da dificuldade que a diferença sexual representa para se chegar a uma concepção de singularidade do indivíduo. O feminismo, uma vez que se constrói numa relação paradoxal com esse conceito de indivíduo singular, reproduz inevitavelmente os termos contraditórios de sua própria construção. E é próprio da natureza do paradoxo ser insolúvel, portanto, as feministas não resolveram os paradoxos de suas épocas, como também não podem resolvê-los atualmente, nem mesmo torná-los mais fáceis de resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Érica Melo é militante do Coletivo Feminista e mestranda em Sociologia pela Unicamp.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bibliografia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORREA, M. “A natureza imaginária do gênero na história da antropologia” IN: Cadernos Pagu (5). Campinas, Núcleo de Estudos do Gênero/UNICAMP, 1995. p. 109&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SCOTT, Joan W. A cidadã paradoxal – as feministas francesas e os direitos do homem. Tradução de Élvio Antônio Funck. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________. “Experiência”. In: SILVA, Alcione da et alli. Falas de Gênero. Florianópolis: Ed Mulheres, 1999. (p.p.: 21-55)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________. SCOTT, Joan W. “Igualdade versus diferença: os usos da teoria pós-estruturalista”. In: Debate Feminista (Cidadania e F&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="sdfootnote1sym"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote1ancsdfootnote1anc"&gt;1&lt;/a&gt; http://www.10feminista.org.br/pt-br/node/170&lt;br /&gt;&lt;a name="sdfootnote2sym"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote2ancsdfootnote2anc"&gt;2&lt;/a&gt; SCOTT, Joan W. A cidadã paradoxal – as feministas francesas e os direitos dos homens. Tradução de Élvio Antônio Funck. Florianópolis: Ed. Mulheres, 2002. (p.p.: 19)&lt;br /&gt;&lt;a name="sdfootnote3sym"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote3ancsdfootnote3anc"&gt;3&lt;/a&gt; SCOTT, Joan W. “Igualdade versus diferença: os usos da teoria pós-estruturalista”. In: Debate Feminista (Cidadania e Feminismo), n. especial, 2000. (p.p.: 204)&lt;br /&gt;&lt;a name="sdfootnote4sym"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote4ancsdfootnote4anc"&gt;4&lt;/a&gt; SCOTT, Joan W. “Experiência”. In: SILVA, Alcione da et alli. Falas de Gênero. Florianópolis: Ed. Mulheres, 1999. (p.p. 5)&lt;br /&gt;&lt;a name="sdfootnote5sym"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=710968773752827326&amp;amp;postID=7580658592565885880#sdfootnote5ancsdfootnote5anc"&gt;5&lt;/a&gt; CORREA, M. “A natureza imaginária do gênero na história da antropologia” IN: Cadernos Pagu (5). Campinas, Núcleo de Estudos do Gênero/UNICAMP, 1995. p. 109&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-5601420259449091280?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/03/feminismo-dilemas-velhos-e-novos-uma.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-5446041130076945783</guid><pubDate>Sun, 02 Mar 2008 16:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-30T22:18:35.240-07:00</atom:updated><title>O que é o Coletivo Feminista?</title><description>O &lt;strong&gt;Coletivo Feminista&lt;/strong&gt; é uma organização autônoma de mulheres, que existe desde 2003 na cidade de Campinas  e acredita que, apesar das conquistas e transformações alcançadas ao longo da história, a luta feminista continua não só importante como imprescindível.Somos uma organização de caráter bastante aberto e composta por membros de diferentes opiniões sobre diferentes assuntos, assumindo uma composiçao heterogênea; no entanto, alguns pontos são os que nos configuram como um grupo:&lt;br /&gt;●&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Coletivo Feminista&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: Para nós, resumidamente, a luta feminista é a luta política que busca desnaturalizar e superar as relações desiguais e hierárquicas entre os gêneros masculino e feminino, embora não sejamos fechadas em uma ou outra concepção de feminismo. Acreditamos ser importante assumir essa posição política e nos colocamos a disposição para discutir sobre os estereótipos colocados, ao longo da história, sobre o feminismo- com os quais não concordamos.&lt;br /&gt;●&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Autônomo:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; O Coletivo Feminista é um grupo autogestionário e, portanto, autônomo em relação a outras organizações ou a partidos políticos. Isso não quer dizer que pessoas organizadas em outras esferas não possam somar-se ao grupo.&lt;br /&gt;●&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Composto por mulheres&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;: a organização interna do Coletivo é constituída por mulheres, o que não anula a participação de homens em atividades abertas, parcerias em projetos, entre outros. Não é nada contra os homens. Como já dito, buscamos o fim das relações desiguais e não uma simples inversão do modelo existente. Ou seja, não se trata de medir forças com os homens, ao contrário, a idéia é que essa relação de forças não exista. E é justamente por haver esse acesso desigual aos mecanismos de poder que consideramos a necessidade de um espaço específico para que as mulheres discutam sobre si mesmas e sobre suas relações sociais. Voltamos, inclusive, a discutir esse aspecto em nossas últimas reuniões e foi resolvido que haverá mais atividades abertas aos homens interessados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Nos reunimos todas as quintas-feiras das 17:30 hs às 19hs no Teatro de Arena localizado na Praça do Ciclo Básico na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-5446041130076945783?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/03/o-que-o-coletivo-feminista.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-5416861749131765885</guid><pubDate>Sun, 02 Mar 2008 16:05:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-02T08:07:24.806-08:00</atom:updated><title>Resenha do livro:“Infiel – A história de uma mulher que desafiou o Islã” ,</title><description>Resenha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fronteiras promíscuas : secularismo, religião e o corpo feminino -&lt;br /&gt;A propósito de “Infiel”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariane Venchi&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=710968773752827326#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;[1]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quem nasce mulher tem que viver como mulher.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provérbio popular da Somália&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        A infiltração de dogmas religiosos em questões políticas, como nos direitos reprodutivos de mulheres e sua posição na família, parece estar na moda. Quando o Arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder da Igreja Anglicana na Inglaterra, propôs em fevereiro de 2008 a formalização de certos aspectos da lei islâmica (charia) no Reino Unido, houve reações conflituosas por parte da opinião pública do país, entre elas a indignação de tablóides sensacionalistas e críticas vindas dos próprios membros das comunidades muçulmanas. Dias depois, o Arcebispo reformulou seu discurso, argumentando que não se referia às punições físicas como decapitações e o corte de mãos, mas que defendia uma “acomodação construtiva” de valores islâmicos na Inglaterra em áreas jurídicas como a lei da família e o casamento, nas quais as mulheres muçulmanas poderiam evitar as cortes laicas, priorizando as cortes islâmicas em questões como divórcio, herança e a custódia dos filhos.  Houve protestos por parte de várias mulheres de origem muçulmana no país.&lt;br /&gt;Enquanto isso, no Brasil, observamos a invasão insistente da Igreja em assuntos da área médica e dos direitos reprodutivos e a militância no Congresso Nacional de grupos católicos, evangélicos e espíritas contra os direitos civis de homossexuais, discriminalização do aborto etc.  Não por acaso, a Campanha da Fraternidade desse ano é ”Fraternidade e defesa da vida humana”, sob o slogan tirado de um versículo da Bíblia “Escolhe, pois, a vida”, tema inspirado pela visita do Papa Bento XVI em 2007, que percorreu a América Latina reiterando sua posição contrária às pesquisas em célula-tronco, aos métodos contraceptivos, à eutanásia e, obviamente, ao aborto. Tais posições políticas obscurantistas adotadas por autoridades religiosas enfatizam a importância do papel da família (nuclear e heterossexual) na sociedade, que acha eco nas proposições de Rowan Williams e em várias autoridades islâmicas que apoiaram seu discurso conservador, no qual o Arcebispo coloca os direitos das mulheres em segundo plano, condenando as decapitações supostamente sancionadas pela charia mas, por outro lado, apoiando as leis islâmicas que desfavorecem as mulheres.&lt;br /&gt;A auto-biografia recentemente publicada no Brasil, “Infiel – A história de uma mulher que desafiou o Islã” da ex-deputada holandesa de origem somali Ayaan Hirsi Ali, lança luz sobre tais questões contemporâneas referentes à luta política do feminismo frente às disputas religiosas, nacionais e à domesticidade do espaço da família - arena privada a partir da qual submergem relações de gênero e poder que se amplificam em termos ontológicos e ideológicos e permeiam todas as instâncias da sociedade civil, construindo noções de corpo feminino, a partir das quais decide-se  quais sujeitos estão autorizados a intervir sobre o mesmo. Hirsi Ali inaugura sua narrativa descrevendo o brutal assassinato de seu amigo, o diretor de cinema holandês Theo Van Gogh, executado por um muçulmano radical sob a justificativa de que seu curta-metragem “Submission” era um insulto ao Islã. “Submission” fora roteirizado por Hirsi Ali em 2004, sobre a transição do estado inicial de submissão a Deus ao diálogo com a divindade, de uma perspectiva feminina. A história apresentava mulheres que erguem a cabeça e levantam os olhos para Alá com versículos do Alcorão escritos na própria pele. “Dizem-Lhe sinceramente que, se essa submissão seguir causando-lhes tanta miséria, elas serão capazes de deixar de se submeter.” (p.14)&lt;br /&gt;O livro é dividido em duas partes; “Minha infância” e “Minha liberdade”, que demarcam duas temporalidades ontológicas, o interstício de sua passagem de “crente” para “descrente”. Ao longo de 17 capítulos, acompanhamos o crescimento da menina somali Ayaan Hirsi Magam em seu país em meio ao golpe militar do general Siyad Barre em 1969, a extirpação de seu clitóris segundo o costume perpetuado pelas mães e avós somalis e sancionada pelos clérigos locais, a fuga de sua família para a Arábia Saudita. Nesse país, a narradora toma contato pela primeira vez com as leis puritanas e sexualmente segregadas do berço do Islamismo, no capítulo intitulado “Brincando de pega-pega no palácio de Alá”, onde nos deparamos com descrições tragicômicas do cotidiano das mulheres na terra do Profeta Maomé. A pequena Hirsi Magam era alvo constante de preconceito na escola alcorânica que frequentava, chamada pela professora e colegas de abid, escrava negra. Um país onde até hoje mulheres não podem dirigir um carro e precisam sair acompanhadas de um parente masculino. Seu corpo era-lhe sempre um peso: “Devíamos nos purificar depois da menstruação. A feminilidade era, ao mesmo tempo, irresistivelmente desejável e essencialmente suja, e todas essas intervenções eram necessárias para merecer o regozijo de Alá.” (p.129)&lt;br /&gt;Da Arábia Saudita, ela passa a infância e adolescência entre Somália e Quênia, onde entra em contato com os radicais islâmicos desse país e se torna um membro da Fraternidade Muçulmana - grupo militante de origem egípcia com ramificações em todo o mundo muçulmano – tornando-se uma muçulmana devota. Porém, ao decidir fugir de um casamento arranjado por seu pai, vê-se sozinha na Europa, passando pela fronteira entre Alemanha e Holanda e exilando-se ali, país que eventualmente adota como pátria, naturalizando-se, trabalhando e mais tarde fazendo mestrado em ciência política. Hirsi Ali, - agora adotando outro sobrenome para proteger-se de eventuais represálias de sua família - descreve a mudança gradual de seus valores islâmicos para a contestação do dogma que lhe fora ensinado, seus conflitos pessoais e metafísicos ao abandono total da fé, até tornar-se uma apóstata entre seus pares. Enquanto isso, ela procura explicar ao leitor o radicalismo religioso, as assimetrias de gênero presentes tanto na lei islâmica quanto nas atitudes cotidianas dos muçulmanos, a relação entre a prática da circuncisão feminina e a religião, a conivência dos teólogos e, por fim, os problemas do multiculturalismo.&lt;br /&gt;Quando candidatou-se ao parlamento holandês, Hirsi Ali já adotara a posição política ateísta e a militância feminista, aparecendo em programas de televisão e em debates abertos, entrando em conflito com a esquerda liberal e adotando uma postura crítica dos valores islâmicos que, segundo ela, entravam em choque com a sociedade laica da Holanda e não eram compatíveis com as políticas multiculturalistas de tolerância e respeito à diferença. Ela criticava os liberais e os sistemas de governo ocidentais por legitimarem, ainda que indiretamente, certas diferenças intoleráveis, como crimes de honra e mutilação genital, que estavam acontecendo na Holanda em nome da “cultura”. Sua crítica é ousada e implacável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Arábia Saudita é a fonte e a quintessência do islamismo. O lugar em que se pratica a religião muçulmana na sua forma mais pura e a origem de grande parte da visão fundamentalista que, desde o meu nascimento, tem se propagado muito além de suas fronteiras. Naquele país, cada alento, cada passo que dávamos estava impregnado de conceitos de pureza e pecado, e de medo. (...) O tipo de pensamento que presenciei na Arábia Saudita e na Fraternidade Muçulmana, no Quênia e na Somália, é incompatível com os direitos humanos e os valores liberais. Preserva uma mentalidade feudal arrimada em conceitos tribais de honra e vergonha. Apóia-se no auto-engano, na hipocrisia e em padrões dúplices. Depende dos avanços tecnológicos ocidentais ao mesmo tempo que finge ignorar sua origem no pensamento ocidental. Essa mentalidade torna a transição para a modernidade muito dolorosa par todos os praticantes do Islamismo.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Nós, no ocidente, fazemos mal em prolongar desnecessariamente a dor dessa transição, alçando culturas repletas de farisaísmo e ódio à mulher à estatura de respeitáveis estilos de vida alternativos.(p.492)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                       &lt;br /&gt;Por conta de tais posturas, quando foi eleita deputada e implementou projetos de apoio às mulheres e rechaço aos valores islâmicos, Hirsi Ali criou inimigos, até que aliou-se ao projeto com Theo Van Gogh e passou a receber ameaças de morte com o lançamento do filme. Depois de seu assassinato, sua permanência na Holanda tornou-se impossível e ela exilou-se nos Estados Unidos, de onde passou a publicar seus artigos e editar seu livro. Trata-se, enfim, da biografia de uma personagem corajosa e subversiva, inimiga dos radicais islâmicos, mal-vista pelos liberais ocidentais; em suma, uma apóstata e “infiel”. E por isso mesmo, a leitura de seu livro torna-se obrigatória para aqueles que buscam aprofundar-se na questão do discurso religioso construindo o corpo feminino, seja nos dogmas cristãos ou islâmicos, ambos herdeiros da tradição patriarcal do monoteísmo abraâmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha técnica :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HIRSI ALI, Ayaan – Infiel – a história de uma mulher que desafiou o Islã, São Paulo : Companhia das Letras, 2007, 496 p. Traduzido por : Luiz A. de Araújo. Título original : Infidel – my life, New York : Free Press, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mais informações sobre o tema, ver os sites :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cnbb.org.br/"&gt;www.cnbb.org.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.mulheresdeolho.com.br/"&gt;www.mulheresdeolho.org.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.theguardian.co.uk/"&gt;www.theguardian.co.uk&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=710968773752827326#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;[1]&lt;/a&gt; Pós-graduação em Antropologia Social – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Unicamp. Vinculada ao Pagu – Núcleo de Estudos de Gênero, IFCH- Unicamp.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-5416861749131765885?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/03/resenha-do-livroinfiel-histria-de-uma.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-8071670817713956832</guid><pubDate>Thu, 24 Jan 2008 12:04:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-24T04:05:48.034-08:00</atom:updated><title>Por que Legalização do Aborto?</title><description>As recentes declarações favoráveis à legalização do aborto tais como do Ministro da Saúde,  José Gomes Temporão , do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, dentre outras reascenderam em todo país um velho e polêmico debate: a legalização do aborto. A recente legalização no México, o resultado favorável à legalização do pleibiscito português e a vinda do papa ao Brasil colocaram ainda mais lenha na fogueira. Nos últimos meses essa questão tornou-se central para o Coletivo Feminista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque legalização?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;            O Código Penal brasileiro (art. 128) considera a prática do aborto não punível em caso de risco para a gestante e gravidez resultante de estupro. Recentemente o Poder Judiciário vem autorizando o aborto em caso de anomalia fetal grave, incompatível com a vida extra-uterina, como é o caso de fetos anencéfalos. Mas essa legislação não impede que milhares de mulheres realize todos os anos abortos que não se enquadram em nenhuma das três situações.&lt;br /&gt;            Estima-se que no Brasil são realizados 1 milhão de abortos por ano. Segundo a OMS globalmente há um abortamento inseguro para cada 7 nascidos vivos. Na América Latina e Caribe, a situação é ainda mais grave: há mais de um aborto inseguro para cada três nascidos vivos. Abortos inseguros representam a quarta causa de mortalidade materna e a segunda causa de internação obstétrica no país. Isso representa um alto custo para o SUS (140 milhões por ano). Os elevados custos e a alta mortandade são fruto da condição clandestina na qual os abortos são realizados no país.&lt;br /&gt;É importante lembrar que quem morre no país em decorrência de aborto são, na maioria absoluta mulheres pobres que , não dispondo de meios financeiros para realizar um aborto seguro, utilizam-se dos mais bizarros métodos (tombos, agulha de tricô) ou recorrem  aos chamados 'açougueiros'. A penalização do aborto somente dificulta e encarece a realização de um aborto para as mulheres das classes dominantes (que pagam de 2 a 3 mil reais por um aborto) enquanto representa mutilação e morte para muitas mulheres das camadas populares. Esse quadro é um retrato da sociedade brasileira marcada por desigualdades gritantes e privilégios. O Estado prefere, por sua vez, prefere, em muitos momentos, fingir que o problema não existe. O mais recente documento relativo à Saúde da Mulher , o PNAISM (Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher), que visa reduzir a mortalidade feminina por causas  evitáveis, apesar de enfocar pontos importantes como a questão da contracepção, não  menciona a questão da legalização do aborto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O aborto é legalizado em mais de 35 países do mundo. Mesmo países de maioria católica como Itália e Portugal realizam abortos em caso de desejo da mulher. Infelizmente no Brasil, apesar de vivermos num Estado pretensamente laico, são argumentos religiosos que embasam a maioria das discussões sobre leis relativas ao aborto. As mais diferentes religiões unem-se em defesa da vida do embrião e do direito deste. A mulher é tratada meramente como um receptáculo desse embrião. E o direito à vida dessa mulher, acaba a partir do momento que o óvulo é fecundado?Quem deve decidir sobre sua vida?&lt;br /&gt;            Nós mulheres temos o direito de decidirmos sobre nosso próprio corpo, sobre se queremos ou não ter filhos, como e quando. Consideramos que o Estado deve fornecer a todas as mulheres todos os mecanismos de evitar uma gravidez indesejada por isso queremos educação sexual nas escolas, vulgarização dos métodos anticoncepcionais e facilidade de acesso aos mesmos. Mas para além de tudo isso reivindicamos o aborto livre e gratuito para todas as mulheres que, pelos mais diferentes motivos, decidirem  interromper a gravidez. O Coletivo feminista convida  &lt;a href="mailto:tod@s"&gt;tod@s&lt;/a&gt; a se engajar nessa luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“Educação Sexual para decidir; anticoncepcionais para não engravidar; aborto legal e seguro para não morrer!”&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-8071670817713956832?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/01/por-que-legalizao-do-aborto.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-5575995430209565654</guid><pubDate>Thu, 24 Jan 2008 12:01:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-24T04:02:30.789-08:00</atom:updated><title>Aborto: ilegalidade e pobreza</title><description>&lt;div align="justify"&gt;No mais polêmico dos assuntos, de perspectivas que vão dos direitos humanos à religião, um dado não pode ser negado: o abortamento inseguro atinge especialmente as mulheres pobres do país onde ocorre. As mulheres com condições financeiras se submetem a uma cruel e cara indústria do aborto ilegal para garantir, minimamente, a segurança de sua saúde. Para muitas, não há essa opção e recorrem a métodos que expõem sua saúde e até suas vidas. É este o quadro que se tem da ilegalidade do aborto. E os índices de mortalidade materna por aborto são tão altos que fica difícil entender o que realmente significa uma “lei em favor da vida”. Vida de quem? A estimativa é de 1 milhão de abortos e algo entre 300 e 700 mulheres mortas por ano no Brasil. E a fórmula se repete em outros lugares com condições semelhantes: 70.000 mulheres morrem por ano no mundo, constituindo 13% da mortalidade materna dos países pobres.&lt;br /&gt;Se para as alas conservadoras da política e da religião a questão é o valor da vida, o que se impõe preocupante aqui é a morte. Morte de mulheres, principalmente as mais jovens e pobres, excluídas de seus direitos sexuais e reprodutivos básicos. É em favor da vida que a ilegalidade respalda a morte dessas mulheres, é por trás dela que ocorre essa grave injustiça social, conseqüência das desigualdades econômicas e de gêneros.&lt;br /&gt;À falta de recursos econômicos, uma das principais razões do abortamento inseguro, estão associadas a ausência de direitos humanos, a insalubridade e a falta de opções. A prática do aborto está diretamente relacionada à falta de acessos aos métodos contraceptivos e, principalmente, ao pouco ou nenhum controle das mulheres pobres na decisão de querer engravidar. A educação e as políticas públicas de saúde, condições que garantiriam a capacidade das mulheres em suas escolhas e decisões sexuais e reprodutivas, lhes são negadas. E é dessa forma que para muitas delas é imposta uma difícil opção: enfrentar a exclusão social ou arriscar suas vidas e sua saúde com um aborto inseguro. Num país como o Brasil, em que não é raro encontrar mulheres responsáveis por toda a renda familiar e pela criação das famílias, as conseqüências do aborto ilegal tomam dimensões ainda maiores.&lt;br /&gt;Sem poder decidir sobre sua vida sexual e reprodutiva, limitada por questões culturais, desigualdade de gênero, práticas religiosas e pobreza, a falta de opção de muitas mulheres começa bem antes da exposição ao aborto inseguro. Já está presente quando não consegue dizer ‘não’ a uma relação sexual, ou quando não conhece o próprio corpo e não sabe como evitar a gravidez, ou quando sabe e não tem acesso aos métodos ou ainda quando tem acesso e não consegue negociar o uso da camisinha com o parceiro. A criminalização do aborto é um coroamento dessa situação de violência e exclusão.&lt;br /&gt;A ilegalidade não diminui ou coíbe a prática do aborto. Os números estão aí e não me deixam mentir.  Abortos em condições insalubres, as clínicas abusivas, os medicamentos falsificados, os chás e as ervas, os instrumentos perfuradores, a esterilidade e a morte são as conseqüências da clandestinidade do aborto. A luta pela legalização é a exigência de políticas públicas que não mais negligenciem a saúde da mulher, que não mine sua capacidade de decidir sobre sua vida sexual e reprodutiva, que ofereça condições de educação sexual, planejamento familiar e aborto seguro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-5575995430209565654?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/01/aborto-ilegalidade-e-pobreza.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-3136054564302624901</guid><pubDate>Thu, 24 Jan 2008 11:55:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-24T03:57:07.969-08:00</atom:updated><title>Aborto, rompendo o silêncio</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Rompendo o silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Menstruação atrasa. Teste da farmácia dá positivo. Putaqueopariu, não dá pra confiar em camisinha. Por que diabos eu fui parar de tomar a merda da pílula? Nessa hora eu não pensei na vida que daria pra criança, pensei na minha. Na faculdade e no curso técnico por terminar, no estágio, em tudo o que eu ainda queria fazer, nos projetos de sair da casa dos meus pais, de passar uns anos trabalhando fora, de juntar uma grana e me perder no mundo sem dar sinal de vida pra ninguém, de ter casa própria...&lt;br /&gt;Depois pensei na minha mãe, na decepção que ela teria, nos sonhos todos que meu pai coruja tinha feito para a única filha dele, no que eu diria, e se diria, pro ex (sim, porque Murphy rege a minha vida e o namorico de pouco mais de um mês tinha recém terminado). Pensei em pedir abrigo pra pseudo-tia que mora em outro estado, ter a criança e entregá-la a uma instituição, mas mamãe trabalhava com serviço social e eu já conhecia histórias escabrosas suficientes sobre esses lugares. Pensei em virar mãe e entrei em pânico só de pensar na possibilidade de acabar odiando a criança e culpando-a por todas as minhas frustrações. Pensei que naquela altura eu era o orgulho da família, a neta exemplar que trabalhava sem parar e nunca tinha tirado uma nota baixa na vida, e na cara com que iria olhar para o clã no almoço de domingo. Pensei na minha mísera fonte de renda e na mesada que ainda recebia, nos anos de economia de papai para que pudesse se aposentar e morar na praia e se teria coragem de pedir que abrisse mão deles.&lt;br /&gt;Pensei em aborto. Em tomar remédio pra úlcera e provocar hemorragia. Pra garantir, também pensei em agulha de tricô vagina adentro. Foda-se o que acontece depois, o importante é que sai. Pensei em procurar uma clínica, mas como é que eu encontraria algo do tipo se não podia contar pra ninguém? Sim, porque eu estava planejando um crime, não podia comprometer as pessoas em quem confiava obrigando-as a serem cúmplices. Isso fora a consciência me chamando de assassina.&lt;br /&gt;Passei noites sem dormir e quando finalmente conseguia pregar os olhos tinha pesadelos com choro de criança. Eu não podia ter um filho. Não daquele jeito. Eu sonhava, e ainda sonho, em casar e ter filhos. E se desse tudo errado e eu ficasse estéril? E se meus pais tivessem que assistir ao enterro da própria filha depois de um médico desconhecido dizer que ela sofreu complicações decorrentes de um aborto mal feito?”&lt;br /&gt;                                                                 ***&lt;br /&gt;Essa é uma história real, tão real que é fácil da gente se identificar. A Luiza, quem escreveu esse depoimento, passou por esta situação quando tinha 25 anos; apreensiva em conversar sobre o assunto até com seu analista, usou seu blog pessoal para extravasar a angústia de estar numa situação desesperadora, mas bem comum. Mas toda esta angústia pela qual Luiza passou poderia ser evitada; talvez se ela soubesse que as pessoas ao seu redor não a julgariam por sua decisão, talvez se ela tivesse mais informações sobre como há formas seguras de realizar o auto-aborto, talvez se a sociedade não exercesse tanta pressão sobre ela, de modo que ela não achasse estar planejando um crime e não se sentisse uma assassina por estar, simplesmente, decidindo sobre o seu próprio corpo. E, principalmente, se o aborto, assegurado pelo Estado, como forma de viabilizar a opção de uma mulher de não ter um filho naquele momento, ou em qualquer outro, fosse explicitamente e efetivamente uma questão de saúde pública, e não alvo dos moralismos da Igreja ou dos interesses econômicos dos planos de saúde privados que pressionam os congressistas. A luta pelo direito de decidir, pela descriminalização e legalização do aborto no Brasil é urgente, mas, simultaneamente a ela, milhares de mulheres passam por situações como a de Luiza – por isso é imprescindível que paralela à luta pela legalização do aborto, lutemos para que este não seja mais um assunto tabu, e muito menos motivo de culpa, vergonha e julgamentos sociais.&lt;br /&gt;Pois não só a Luiza, mas muitas outras mulheres usam o espaço da web para dar vazão a um grito contido, vindo de uma gravidez indesejada, do pânico de perceber a impossibilidade (financeira, emocional, estrutural...) de colocar um filho no mundo e principalmente, do medo de ser apontada e descriminada.&lt;br /&gt;Em uma página do Portal Terra (mulher.terra.com.br), há depoimentos de mulheres que abortaram. Ana* (29 anos) abortou duas vezes, aos 18 e aos 23; ela conta que descobriu que estava grávida de um cara da escola com quem tinha ficado e o procurou para conversar sobre o assunto, mas o garoto deu as costas. “Procurei uma clínica e fiz um aborto sem avisar ninguém. Como sempre trabalhei, dinheiro não foi problema. Fui e voltei sozinha da clínica e me sentia muito mal, culpada e suja. (...) Sei que não tinha condições de criar o bebê e não me arrependo”.&lt;br /&gt;Carla*, de 24 anos, conta que abortou quando tinha 22 anos – ela estava morando na Inglaterra e engravidou de seu namorado, com quem também morava: “Procurei um hospital e abortei, já que o aborto é legalizado por lá. Senti muita dor, chorei e me culpei pela situação de engravidar longe da minha família, estando ilegal em um país e de uma pessoa que me batia e estava muito distante de ser o que eu planejei para mim. Carrego a dor todos os dias comigo e nossa relação chegou ao fim um ano depois do aborto. Ele dizia que eu era culpada pela situação.”&lt;br /&gt;Estes são dois exemplos bastante expressivos do drama que delineia a questão do aborto e de como a dor social e psicológica pode ser muito mais forte e traumática do que os desconfortos de seu processo clínico. Ambos os depoimentos mostram experiências de mulheres que se viram desamparadas mediante uma situação que, no entanto, não criaram sozinhas. Este desamparo não vem somente dos outros responsáveis pela gravidez, os homens com quem se relacionavam, mas também de preconceitos e machismos que se expressam há muito tempo e de diversas formas nas nossas sociabilidades, tanto privadas, quanto públicas. Abrigando o motivo de suas preocupações em seus ventres, Ana* e Carla* não tiveram, como optaram os seus namorados, a escolha de “tirar o corpo fora”, já que era nos seus próprios corpos que se alojava o problema.&lt;br /&gt;Como sabemos, as expectativas e cobranças em torno das mulheres, assim como as exigências de que elas correspondam a modelos tradicionais de feminilidade, aos quais a maternidade está compulsoriamente associada, infelizmente, não emanam somente de homens machistas, mas de toda a sociedade. Por isso é que viram no aborto uma forma de contornar a impossibilidade de arcar com a grande responsabilidade que é colocar uma criança no mundo. E pela mesma razão é que, mesmo após terem solucionado o motivo de suas preocupações ao interromperem a gravidez indesejada, Ana* e Carla* passaram a sofrer com seus próprios julgamentos, advindos não de seus atos em si, mas da marginalização e descriminação que a sociedade as fez sentir, ao condenar cegamente o aborto e o desejo legítimo de não serem mães naquele momento de suas vidas, ou mesmo em qualquer momento posterior.&lt;br /&gt;Como forma de extravasar este sentimento, usaram o espaço virtual. A Internet se coloca hoje em nossas vidas como um espaço plural, onde podemos expressar, construir e desconstruir idéias, assim como ter acesso a todo e qualquer tipo de informação ao alcance da mente humana. Mas, por outro lado, ela tem, para muitos, o anonimato como uma de suas grandes vantagens. Também no caso de depoimentos sobre a questão do aborto, o uso da Internet carrega essa dubiedade. Luiza, Ana* e Carla* viram no mundo virtual um espaço para compartilharem suas angústias, mas não podemos deixar de problematizar o fato de que o uso da Internet se deu justamente em função de permitir essa expressividade velada.&lt;br /&gt;A questão do aborto e a forma como ela é tratada juridicamente no Brasil coloca em risco a saúde da mulher, tanto fisiológica, quanto psicologicamente, já que sua criminalização dá margem para que mulheres todos os dias cometam abortos inseguros e de forma clandestina, dando também ao fato um peso de culpa. Um Estado que se propõe prezar pela igualdade de gênero entre suas cidadãs e seus cidadãos não deveria defender uma lei que faz com que as mulheres arrisquem sua saúde – a cada 6 minutos morre no mundo uma mulher, devido a métodos abortivos inseguros (www.womenonwaves.org) – e se sintam culpadas por optarem por não terem um filho enquanto os homens têm toda a liberdade para fazer o mesmo. As situações narradas mostradas aqui nos confirmam a necessidade de colocarmos o aborto em debate não só como meio de viabilizar a sua prática, pois sabemos que muitas mulheres abortam ilegalmente, mas principalmente como forma de garantir que 1) o aborto não seja crime 2) que ele seja assegurado a toda a população, e seja realizado em condições seguras e confortáveis 3) que as mulheres que o realizarem tenham todo o tipo de assistência social e apoio psicológico necessários e 4) não menos importante, que a legalização do aborto opere como forma eficaz de promover uma reformulação das relações de gênero desiguais, revelando verdades e desconstruindo preconceitos.&lt;br /&gt;                                                                           * * *&lt;br /&gt;A questão do aborto, ao ser colocada em debate atualmente, tem sido cada vez mais publicizada, o que se coloca como um avanço em termos de evitar estes seus “efeitos colaterais”, ao mesmo tempo em que lutamos por sua descriminalização e legalização. São trabalhos paralelos e que se alimentam mutuamente. No site da Ipas Brasil (www.ipas.org.br), uma organização não-governamental comprometida há três décadas com a proteção da saúde das mulheres através da promoção de seus direitos reprodutivos, há o depoimento de uma mulher (38 anos), mãe de dois filhos, que foi violentada quando se dirigia ao trabalho de manhã cedo. Diferentemente das outras garotas dos casos contados anteriormente, a protagonista desta história, na época, contou à revista Veja (13/dez/1995) sobre a sua experiência. Diz ela que:&lt;br /&gt;“Gravidez é vida e aquilo era a morte. Eu olhava para mim e me via suja, tomava muito banho, mas sempre saia com os olhos vermelhos por que aproveitava para chorar. Lembro que contei os minutos para que chegasse o dia seguinte (quando iria à Delegacia da Mulher). Eu sentia aquela coisa crescendo dentro de mim, como se fosse uma bola de neve. ‘Meu Deus, eu pensava, essa coisa está violentando o meu corpo, esta me matando’. Informaram que eu devia ir ao Hospital de Jabaquara e contar a minha história para a assistente social de lá. Fui no mesmo dia, já com a malinha de roupas e escova de dentes, achando que podiam resolver tudo na mesma hora.”&lt;br /&gt;Ela recebeu a assistência devida e a tempo, tendo sido tratada com aspiração elétrica, interrompendo uma gravidez que ela nunca reconhecera. Nunca se arrependeu e disse ainda:&lt;br /&gt;“Ouvi essa expressão (assassina) numa entrevista. Diziam que o aborto era tirar uma vida. Mesmo que alguém venha me falar algo um dia, vou estar sempre de queixo erguido. O ato de doar é uma coisa do bem. Como eu poderia dar para alguém uma coisa violenta, nascida do mal?”&lt;br /&gt;Através destes depoimentos, podemos ver como o aborto é um fato muito mais real e próximo do que podemos imaginar. Através da luta pela sua descriminalização e legalização, não dizemos de forma alguma que mulheres não devem ter filhos, mas sim trabalhamos para que, independente da circunstância ou da decisão, mulheres não se considerem assassinas por não se sentirem prontas para serem mães – algumas nunca estarão, e isso não é crime. A própria Luiza, do comecinho desta conversa, depois de toda angústia pela qual passou, conta que “Alguns dias depois o raciocínio lógico consegui se sobrepor ao conflito entre culpa e desespero e fiz exame de sangue. Negativo”. Ela nunca teve que abortar, mais viu a necessidade de mostrar como sofreu neste processo de decisão, pois para ela, a descriminalização faz diferença: “a diferença de poder dividir a angústia, de ter apoio psicológico, de poder conversar sobre isso e tomar atitudes mais conscientes. Diferença de entrar num hospital, submeter-se a um procedimento acompanhada por uma equipe de confiança e ter a quem recorrer caso algo saia errado. Crime ou não, mulheres desesperadas continuarão fazendo abortos. Que pelo menos sobrevivam a eles, e com a menor quantidade de seqüelas possível.”&lt;br /&gt;                                                                               * * *&lt;br /&gt;Tudo isso nos leva à uma reflexão importante: será mesmo necessário impor a tantas mulheres estes medos e pressões, quando o aborto pode ser realizado de forma simples e segura? Além do mais, por que nunca questionamos os impactos ao corpo da mulher das formas contraceptivas tradicionais, como a ingestão contínua dos hormônios contidos nos anticoncepcionais? O Misoprostol – que começou a ser vendido nas farmácias da América Latina desde o final da década de 1980 com o nome comercial de Cytotec®, como tratamento da úlcera péptica – por exemplo, é um método abortivo explicitamente divulgado em um manual de autoria de “profissionais idôneos, consagrados no trabalho cotidiano da medicina, que dedicam horas ao estudo, reflexão e análises. Eles têm realizado o esforço de sintetizar sua experiência profissional e sua aprendizagem para facilitar a outros colegas as chaves para uma boa prática clínica.” (Manual da FLASOG sobre o uso de Misoprostol em Obstetrícia e Ginecologia”, que pode ser encontrado no site da Cemicamp - Centro  de  Pesquisas Materno-Infantis de Campinas - www.cemicamp.org.br).&lt;br /&gt;O uso do Misoprostol como método abortivo seguro (até a nona semana de gravidez!) também é recomendado no site da Women on Waves (www.womenonwaves.org), uma organização não lucrativa holandesa preocupada com os direitos humanos das mulheres. “As Women on Waves criaram uma clínica móvel a bordo de um barco que navegam até aos países onde o aborto é ilegal. Esta ação é sempre realizada a convite e em parceria com organizações locais de mulheres. Os serviços no barco são gratuitos e realizados por médicas experientes que administram pílulas abortivas em condições de segurança e de uma forma legal. As Women on Waves têm como objetivo prevenir abortos clandestinos em más condições e motivar todas as mulheres a exercerem os seus direitos humanos à autonomia física e psicológica e a exigirem serviços de saúde e de educação sexual.” Paralela a esta ação, a Women on Waves tem em seu site uma página dedicada à publicização do aborto como forma de quebrar este tabu. Esta página mostra como todas as mulheres podem ajudar nesta luta, mostrando seus rostos e contando suas histórias para combater a idéia de que o aborto é um fardo a ser carregado por toda a vida.&lt;br /&gt;Ajude você também a tirar este peso das escolhas de todas as mulheres, dando apoio moral e psicológico a amigas, familiares e colegas que se descobrem grávidas, mas não podem ou não querem ter um filho. Tente se colocar no lugar da outra, pois todas nós estamos suscetíveis a um acidente. O aborto não precisa ser um drama; ele pode ser simples e seguro e, respaldado pelo Estado, será uma grande conquista em termos das liberdades das mulheres. Torne este um assunto de discussão racional, cotidiana e comprometida com os direitos que todas as mulheres têm aos seus corpos rompendo este silêncio! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-3136054564302624901?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/01/aborto-rompendo-o-silncio.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-1203904358742026360</guid><pubDate>Tue, 22 Jan 2008 15:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-13T07:19:07.799-08:00</atom:updated><title>O que fazer nos casos de estupro?</title><description>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_dVWajN_Alio/R8VyChCKLNI/AAAAAAAAABE/C4SpGz6fZ6o/s1600-h/La+violaciÃ³n+que+cuesta+recordar_LUIS+F.+SANZ.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171665134657613010" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 253px; CURSOR: hand; HEIGHT: 276px" height="276" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_dVWajN_Alio/R8VyChCKLNI/AAAAAAAAABE/C4SpGz6fZ6o/s320/La+violaci%C3%B3n+que+cuesta+recordar_LUIS+F.+SANZ.jpg" width="320" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O que fazer nos casos de atentado violento ao pudor ou estupro?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;-Procure um pronto atendimento (CAISM/ HC da Unicamp ou Hospital Ouro Verde) para garantir a prevenção da gravidez por estupro, as DSTs/AIDS/hepatite. Lá você também receberá assistência psicológica e social;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ATENÇÃO: o cuidado deve ser realizado antes de 72hs!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;-Não se lave, nem tome banho e guarde as roupas que estava usando (para não limpar as provas);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Dirija-se à Delegacia da Mulher, Av.Governador Pedro de Toledo, 1161 – Bonfim/ Telefone: 32425003/32427762. A Delegacia da Mulher funciona de seg. à sex. das 9hs às 18hs. Em outros horários, procure a delegacia + próxima. É muito importante que o Boletim de Ocorrência seja realizado o quanto antes. Na Delegacia solicite um guia para ser examinada(o) no Instituto Médico Legal (IML);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Encaminhe-se ao IML (muitas delegacias oferecem esse serviço) mesmo se não existirem marcas visíveis de violência, é importante para a vítima realizar o exame de corpo de delito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todo esse processo é gratuito e a vítima tem direito à companhia de uma pessoa amiga ou da família.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Denuncie! Jamais se cale! Não se omita!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-1203904358742026360?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/01/o-que-fazer-nos-casos-de-estupro.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_dVWajN_Alio/R8VyChCKLNI/AAAAAAAAABE/C4SpGz6fZ6o/s72-c/La+violaci%C3%B3n+que+cuesta+recordar_LUIS+F.+SANZ.jpg' height='72' width='72'/><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-710968773752827326.post-8781390642481944698</guid><pubDate>Tue, 22 Jan 2008 15:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-22T07:59:01.827-08:00</atom:updated><title>A lei brasileira e a Violência Sexual</title><description>Segundo a lei, violência é qualquer ação ou conduta (...), que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico (...). O Código Penal diferencia a violência sexual em três instâncias. Ela pode ser realizada através do assédio sexual, do atentado violento ao pudor e do estupro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Assédio Sexual:&lt;/strong&gt; constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição se superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função (Lei nº10.224,de 15/05/2001). Todos os dias mulheres são assediadas com piadinhas, “brincadeiras” e constrangimentos físicos (como uma beliscada na bunda ou uma encoxada) no seu ambiente trabalho ou dentro do ônibus.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Atentado Violento ao Pudor:&lt;/strong&gt; obrigar alguém, com violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que nela se pratique atos de natureza sexual (art.214 do Código Penal). Exemplos: obrigar uma pessoa a fazer sexo anal ou oral.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estupro:&lt;/strong&gt; constranger a mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça (art. 213 do Código Penal – Lei nº 2.848, de 07/12/1940). Segundo a lei, a relação sexual, a “conjunção carnal”, deve ser vaginal, com penetração. Sendo assim, a violência praticada contra homens, é classificada como atentado violento ao pudor assim como a penetração que não for comprovada (realizada com o uso da camisinha).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estupro, penetração vaginal, de acordo com a lei é o limite da violência sexual, mas isso não quer dizer que as outras formas não sejam graves. Se você for violentada(o) sexualmente de qualquer maneira, denuncie! Não tenha vergonha, violência sexual é crime! E ela acontece inclusive dentro de relações familiares e amorosas. Mesmo dentro do casamento, união ou namoro, você não é obrigada a ter relação sexual forçada e pode registrar queixa. Qualquer tipo de relação sexual sem consentimento é crime!&lt;br /&gt;Tanto o estupro quanto o atentado violento ao pudor são considerados crimes hediondos (Lei nº. 8.072, de 25/07/1990) e para esses 2 crimes a pena é de reclusão de 2 a 8 anos. E quando o crime é praticado contra uma pessoa alienada, ou seja, que não possa, por qualquer outra causa, oferecer resistência, a pena é aumentada. Dessa maneira, se você não estava em “sã consciência”, devido a bebida, drogas, cansaço ou qualquer outra coisa, e um amigo, companheiro ou desconhecido se aproveitou da situação, denuncie!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O silêncio é cúmplice da violência&lt;/strong&gt; – já diziam as feministas nos anos 70. Até quando vamos nos calar? É preciso combater essa realidade. Mas isso não é possível de ser feito individualmente. A violência contra a mulher não é um problema individual apesar de ocorrer na esfera privada. O privado também é político, é um microcosmo de uma estrutura que só pode ser combatida coletivamente. Por isso convidamos tod@s a participarem conosco dessa luta. É preciso tirar do silêncio os inúmeros casos de violência sexista, denunciá-los e combatê-los. A luta feminista, malgrado todas as importantes conquistas, mostra-se não só atual, mas imprescindível.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/710968773752827326-8781390642481944698?l=coletivofeminista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://coletivofeminista.blogspot.com/2008/01/lei-brasileira-e-violncia-sexual.html</link><author>andressapassetti@hotmail.com (Dê)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item></channel></rss>